92 - O PSDB COMO OPOSIÇÃO EM VÁRZEA PAULISTA

31/10/2012 09:52

 

   Um dos dois maiores erros políticos cometidos dentro do PSDB estadual, foi o do Serra ao posar de fuzil na mão. Essa imagem foi compartilhada o tempo todo em todas as redes sociais. Foi um erro tido como imperdoável dentro do próprio partido e alianças, e isso depôs contra ele junto com as gafes cometidas nas ultimas eleições. O outro grande êrro, que foi motivo de chacotas contra ele, e que circulou pelo país afora, foi o caso da “bolinha de papel” em 2010. Mas não foi isso que fez ele perder a eleição para prefeito agora em 2012. São Paulo estava cansado de ver as mesmas promessas não serem cumpridas, de ver a desatenção e falta de respeito à cidade que a Prefeitura mostrou em sua última gestão no governo municipal de S.Paulo, pelo jogo e pelas mãos políticas/partidárias do prefeito que está saindo.

   Aqui em Várzea Paulista não foi muito diferente, e circulou um comentário nada delicado que foi muito usado contra o Clemente na questão da história do “capim”. Outrossim, ele admitiu que fez um péssimo governo na última gestão, reconheceu e explicou isso nos discursos dos comícios, e sem deixar de pedir perdão ao público presente. E foi sincero a nosso ver. Mas também não foi isso que entendemos ser o motivo para que perdesse a eleição. O que pesou mesmo foi o discurso da oposição quanto à sua inegibilidade, batendo forte e ininterruptamente na tecla ficha suja, de que ele não podia concorrer, que não iria assumir se fosse eleito, que já estava cassado, etc.. E isso foi fatal quando o TSE/SP, no despacho da Juíza relatora do Colegiado Eleitoral do Estado, o considerou inelegível impugnando sua candidatura. Era tudo o que os concorrentes mais desejavam, e tiveram. Isso foi usado com toda a força possível para derrubar sua preferência junto ao eleitorado, que vinha crescendo em desfavor dos adversários na campanha. Observou-se no final da contagem dos votos, que reverteram a esse custo, que grande parte do favoritismo que ele estava trazendo junto a si foram transferidos, certamente ao vencedor. Mesmo com toda disposição visível, Clemente pareceu a uns e outros ter jogado a toalha nos dias finais das eleições, e também ter desistido de política quando não recorreu à Brasília contra a decisão que acabou transitando em julgado na 2ª instância, tornando-o inelegível. Foi o revés mais sofrido no PSDB local, juntando-se com as perdas da eleição em Campo Limpo, seguido por Jundiaí e S.Paulo, quebrando um eixo de poder de longa data da direita no poder.

   E agora ? Com sua trajetória e história de governo, entendido por muitos como governo da elite social, como fica o PSDB na oposição em Várzea Paulista ?

   O PSDB tem um legado político no eleitorado que não é desprezível de forma alguma, e com a especulação da possível “saida” do Clemente de cena as possibilidades do PSBD ficam muito limitadas quanto a ser oposição, pois a desmotivação tomou conta da base, e até o presente momento uma reunião de avaliação da campanha 2012 permanece no campo das intenções. Tudo indica que não haverá oposição por parte deles, exceto de um pequeno grupo que se mantém unido nos ideais dos tucanos. Mas isso não é suficiente. "Deserções" à parte, que aparenta ser inevitável, há evidências que deverá haver uma disputa pelo controle do partido, a partir de dentro e de fora. Afinal o acervo político do PSDB é, de certa forma, invejável. 

   Partindo do princípio que os tucanos dispõe de um bom tempo disponível para propaganda no rádio e TV, há os candidatos que tiveram boa votação no partido que deverão ser fortemente assediados para as próximas eleições, como também a forte militância, sem contar a forte representatividade a nível estadual e nacional com nomes consagrados na política do país, e com o governador em S.Paulo. Por tudo isso, e mais, o "espólio" do PSDB, que já está sendo muito cobiçado e certamente passará por uma "reforma", deveria se somar ao PT para fazer uma ampla oposição democrática ao novo governo na cidade. Mas teremos que aguardar para ver que rumo vai tomar o partido azul/amarelo, até o momento sem nenhuma ação conhecida a partir da executiva, e aparentemente sem apoio regional já que disputou as eleições praticamente sozinho.

  Como tudo tem seu tempo, o PSDB terá o dele também.

  Bem ou não, uma história como a dos tucanos não pode se perder no tempo, nem nos interesses particulares tão somente de uns e outros, isso sem contar o(s) candidato(s) a vereador pedindo voto para o candidato a prefeito adversário com vistas a garantir sua participação no novo governo.


 

 

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