88 - O PT COMO OPOSIÇÃO EM VARZEA PAULISTA

24/10/2012 09:17

   Observando os comentários insistentes na cidade, há suspeitas que o pessoal do PT, em suas vertentes internas, ou grupos, está “conversando” com o pessoal do PV neste período de transição do poder público. A expectativa de quem, e se, vai continuar no governo, tem agitado as conversas intensas de bastidores de tal forma que as controvérsias tem deixado uns e outros com o “coração na mão”. Bastidores, sutilezas e expectativas à parte nesse processo de transição, vamos comentar superficialmente como deverá ficar o PT na oposição em Varzea Paulista, de novo.

   Vamos abordar considerando o momento HOJE, sem esquecer os demais coadjuvantes: PSDB e PCdoB com seus aliados. Para tanto vamos aguardar o resultado do 2º turno em Jundiaí, que certamente irá influir decisiva e positivamente no futuro das legendas PCdoB e PT se Pedro Bigardi vencer as eleições como se espera. Se não vencer também irá influenciar, mas de outra forma. Quem vencer é o que deve dar as cartas.

   O PT, derrotado na eleição municipal, deixou adversários, aliados, militantes e eleitores intrigados, e deve começar definir seu destino político na cidade nesta quarta-feira, 24/10 que, aliás, não depende só de uma vontade, mas parece que pegou firme no contraditório.

   Deve começar por uma autocrítica partidária: que há "uma desproporção imensa" entre o que o PT fez, está fazendo e o que deveria fazer.

   O partido pensa nas questões das eleições futuras, enquanto deveria estar preocupado em "dar uma resposta" aos seus 18.000 eleitores do dia 07 de outubro último. O PT pode estar dizendo agora: "Não podemos deixar esse eleitorado sem representação. Precisamos convencer essas pessoas de que não jogaram seus votos fora. Quem votou em nós queria que ganhássemos, mas sabia que poderíamos perder. Logo, a oposição é tão legítima quanto o governo; expressa a vontade do eleitor e qualifica a democracia."

   Entendemos que, na concepção do PT, isso só acontecerá se não intimidar como oposição, com posições claras, sendo ativa, não se omitir, resumindo: "Não ficar parada, mas de olho em 2014/2016, esquecendo-se de que uma eleição não é um acontecimento de 45 dias de campanha, é resultado de quatro anos de atividades".

   A regra, diga-se, parece não ter sido seguida pelo PT, cujo discurso nos anos que antecederam esta última campanha, durante os quais foi governo, esteve muito distante de cumprir as premissas por ele apontadas.

   E, mesmo como candidato, Lula Raniero permitiu ser conduzido pelo então prefeito Eduardo T. Pereira, por não querer contrastar com a autoridade dele, e sem deixar de o elogiar mesmo quando ficou claro que o adversário capitalizava a rejeição que o governo municipal detinha no eleitorado.

   Oferecer o braço para torcer não faz o estilo do PT,  porque, na visão do PT, caberia ao partido ter exercido esse papel e não ao prefeito, cujo desempenho depende em muito das boas relações internas.

   Agora, ficando longe dos compromissos de um cargo administrativo em 01/01/2013, Lula Raniero sente-se liberado para retomar a vida partidária. Sem mandato nem tribuna oficial, por ora está na condição de dono de capital político que se espera não desperdiçar.

   A existência de uma oposição robusta, clara, leal aos interesses da cidade, que prova a existência da democracia local, é um principio que não trata de fazer oposição sistemática ou não. Isso não é admissivel, e nas grandes democracias do mundo essa questão não se coloca.

   Os oposicionistas defendem que estejam atentos aos movimentos do novo governo, que levará o canto das sereias aos adversários e à população. Apelará à boa vontade. Isso com a intenção de dividir e reduzir o ímpeto da oposição. Quando chegar perto das eleições, voltarão ao vale-tudo.

   "Não podemos cair na armadilha", podem dizer, cobrando e criticando o novo governo, mas, sobretudo, defendendo os próprios princípios. Precisam mostrar que eles, de fato, defende a social-democracia, denunciando que o novo governo poderá adotar as bandeiras, subverter as práticas e banalizar o que há de pior no poder público.

   E por onde começar?

   A base, para o PT, pode ser a reconstrução da unidade do partido, a partir de um mandamento cuja observância deve ser considerado indispensável ao êxito de qualquer projeto:

"Não ajudarás o adversário atacando teu colega de partido".

    E como resolver as questões de “grupos” na base, que lutam pelo controle do partido ? Hoje, quarta-feira, é para ser dado o primeiro passo nessa questão, ou então votarem a opção de aguardar o resultado das eleições de 2º turno em Jundiaí para seguir em frente...

 

 

 

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