81 - PORQUE FAZER OPOSIÇÃO

16/10/2012 16:56

   Adaptação do texto de Carlos Galhardas

   Fonte: http://mudalandroal.blogspot.com.br/2009/07/fazer-oposicao.html

  Como fazer oposição séria ?
  Esta é uma questão sobre a qual temos refletido muito, tanto mais que não estando o movimento representado, enquanto oposição, nos órgãos.

   Por que meios nos podemos fazer ouvir? Os fóruns de debate não existem. Não temos rádio, jornal ou qualquer outro meio de comunicação com independência suficiente para passar de forma imparcial a mensagem de cada um.
   A informação “oficial” é, predominantemente, o reflexo daquilo que o poder quer passar cá para fora. E a informação do município, está viciada para endeusar a figura do governante.
   Em uma altura em que se fala de responsabilização da classe política e em que se associam falhas graves, assumem pertinência as seguintes questões: quais deverão ser os direitos e deveres de informação da classe politica? Essa responsabilização é ou não extensível à oposição?
   Entenda-se a responsabilização como sendo transversal, logo extensível à oposição. Em muitos anos de democracia fomos habituando a expressar a nossa opinião. A concordar ou discordar daquilo que nos rodeia, a explicar o porquê desta ou da outra posição e, em última análise, a decidir a forma como estamos disponíveis para participar nas decisões que afetam o dia-a-dia de cada um de nós. A participação na política ativa é um caminho, através ou não de um partido político, mas é antes de mais um desafio exigente.
   Uma oposição séria e consistente baseia as suas intervenções em dados estatísticos, em estudos setoriais e, com certeza, em fatos e atos concretos de quem exerce o poder legitimamente empossado pelo povo. A oposição assume convicções e faz propostas. Concorda ou discorda. Explicita as suas linhas de ação, em contraponto com as atuações e estratégias seguidas. A oposição não é melhor, pior ou igual ao poder instalado. É, necessariamente, diferente.
  - Estaremos, nesses momentos, “falando mal” de alguém? Não.

  - Destilaando raiva (inveja!) contra uma pessoa com quem não temos divergências pessoais, mas sim políticas? Não. 

  - Promovendo uma “campanha negra” contra a imagem de um governo dedicado? Não.

   O que devemos fazer é questionar suas opções políticas, os caminhos de atuação pelos quais deve responder, enquanto governo, perante todos os seus munícipes.
   Impõe-se um rigor à oposição que é permitido a quem dirige. Aos primeiros acusa-se, constante e deliberadamente, de “calúnias” e maledicências. Aos segundos permitem-se formas de vitimização abusivas, ausências de respostas ou justificações e, mais grave ainda, fugir à clareza e transparência dos fatos.
   Quem assume uma participação ativa na vida pública tem que estar preparado para o escrutínio constante das suas ações por parte daqueles que representa. Vamos deixar de nos refugiar atrás de querer parecer ser vitima e responder a todos por aquilo que somos e fazemos.
   Não podemos permitir que as opções sejam rapidamente transformadas em “erros desculpáveis” à luz da “imperfeição humana”. Que a oportunidade e a confiança dada pelo povo a quem governa seja confundida com legitimação para tudo fazer.  A democracia só pode ser compatível com rigor, clareza e dedicação de quem desempenha cargos políticos.
   Mas também queremos e merecemos uma oposição informada. Inteligência na forma como informa mas, essencialmente, capacidade para identificar as falhas e encontrar e propor soluções.

   Que esteja próxima da população. Que dê a cara. Que saiba merecer o reconhecimento e respeito dos seus adversários.
   De nossa parte, devemos manifestar total disponibilidade para o debate direto e frontal com os nossos adversários, no número de vezes e nas formas que melhor possam contribuir para o esclarecimento dos eleitores, sempre que salvaguardada a igualdade de circunstâncias.
   E vamos todos mostrar aos munícipes que somos capazes da participação necessária para conviver em democracia. A responsabilização do poder político, em que se inclui a oposição, passa por… saber perder! Quanto mais não seja, porque em democracia, o governo de hoje é a oposição de amanhã, e vice-versa. E há por aí muito quem se esqueça disso quando o povo lhe entrega, temporariamente, o poder
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