SIM, A MULHER PODE ESTAR NO PODER !

30/09/2012 10:36

    Adaptação do texto de Helena Ribeiro da Silva
    Presidenta do Seaac de Americana e Região e diretora da Secretaria de Assuntos da Mulher, Criança e Adolescente da FEAAC

    Fonte: http://www.feaac.org.br/palavra-da-feaac/121-sim-uma-mulher-pode-estar-no-poder

   O que representou a eleição que colocou no poder uma mulher como presidenta da República? Sem dúvida é um marco na história do País, pois, pela primeira vez, uma mulher estará ocupando o cargo mais importante do País.
   Isso nos faz refletir sobre o que ajudou a formatar a sociedade em que vivemos abrindo para as próximas gerações outras possibilidades de olhar para a política através da perspectiva de gênero.
   Não se deve considerar tão somente as cotas para as mulheres nos partidos políticos, mas sim, uma reforma política centrada em uma perspectiva de gênero, que incluiria repensar os partidos e superar sua estrutura pautada no patriarcado, e sobre o porquê as mulheres estão sub-representadas nos espaços de poder.
   Cabe a elas, através do voto feminino em particular, produzir uma mudança nos quadros políticos, ampliar o espaço feminino na vida pública, para que as políticas públicas tenham a “cara” das necessidades da mulher, que anseia por uma vida mais digna em um mundo cujas divisões de tarefas entre os sexos promovam a justiça e a igualdade, tanto na vida familiar quanto na política.
   No entanto, as mulheres reproduzem o contrário e são minoria nos espaços públicos, e quando estão nestes espaços lhes são conferidos cargos de menos expressividade
   Na realidade quando um partido político apresenta a sua cota de 30% de mulheres em geral é um “apanhado” de candidatas, só para cumprir tabela e obedecer à lei; veja-se a participação das filhas e mulheres dos antigos políticos, que na verdade representam um braço do homem no poder.
   Então, desenvolver um trabalho voltado para pensar e preparar mulheres para o lugar que lhes cabem no espaço público, é o que ser feito para reverter esse quadro desfavorável às mulheres na política. Reunir mulheres através de oficinas para discutir a participação nos espaços de poder, além, é claro, de pensar em temas como violência doméstica e desigualdade de gênero no trabalho, pode demonstrar através de todo o material levantado nos encontros, argumentos que responderiam facilmente e faria refletir sobre o que querem para as futuras gerações em relação à igualdade de gênero. O foco deve ser o porquê de não participar da vida política nas suas cidades e também o porquê não votar em mulheres. Um entendimento entre as mulheres deixa bem entendido marcado: “não é que devemos, por força de uma regra absoluta, os 30% de cotas nos partidos, participar destes, mas precisamos da certeza da liberdade em escolher participar ou não caso seja nossa vontade”.
   A última eleição foi coberta de chacotas e mensagens deselegantes que circularam via internet e que tinham como alvo a candidata eleita, Dilma Rousseff. Não faziam referências ao perfil da candidata, as suas qualidades ou defeitos, que, aliás, todos os candidatos têm, mas referia-se diretamente ao fato de uma mulher estar fora de “seu habitat social” aquele para o qual as mulheres são jogadas sempre que tentam abrir as asas. E sofrem um julgamento social quando não obedecem e retornam à esfera privada, lugar, com raríssimas exceções, onde passam os últimos séculos.
   A vitória de uma mulher para presidência da república representa a vitória da tal “Igualdade” tão cantada no artigo 5º da Constituição Federal do País, mas que não existiria simplesmente por força deste, ela é, na verdade, uma construção de todos nós.


 

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