196 - GOVERNO MUNICIPAL ATRAPALHADO ?

13/05/2013 10:09

     Baseado em artigo de Dora Kramer - colunista política do O Estado de São Paulo.

    Digno de figurar no catálogo do folclore político da cidade dos quais se orgulha o governo, na ilusão de que reinventou a política de mudança na cidade, temos que: o prefeito é a esperança da mudança prometida na campanha, conta com maioria no legislativo, tem oposição mirrada e, no entanto, em questões fundamentais têm perdido uma atrás da outra na opinião pública.

   A lista de revezes mais recentes é conhecida:

   - Lei de Anistia Fiscal "emperrada",  

  - anuncio de obras nos primeiros 100 dias como sendo suas, mas com verba conquistada pela gestão anterior,

   - demora na regularização da falta de medicamentos,

   - zoonose deixando a desejar,

   - entrevero com o comercio local em relação com a feirinha do Brás,

   - etc.

   Para o governo que em tese domina 60% do Legislativo, convenhamos, são resultados adversos ter um projeto do lider do governo (bombeiros) derrubado,  ver uma proposta aprovada sem conseguir colocar em prática (Lei da Anistia Fiscal), cogitar e recorrer a expediente de acordos de gabinete para aprovar aumento do Orçamento Anual,  e por aí vai...

   A conclusão óbvia é a de que a base aliada governista não está muito coerente, só tem tamanho e ainda não mostrou eficiência. As vezes parecem  complicar questões delicadas, outras dão seguimento a manobras como, por exemplo, restringir o funcionamento da possível oposição e criar dificuldades a possíveis adversários eleitorais; mas acredita-se que serve para garantir boa impressão junto à opinião pública, mas não mostra experiència suficiente quando se trata de fazer andar a administração.

   Simplesmente o prefeito parece não ter muita habilidade na aplicação prática dos têrmos e expressões como: articulação, negociação, construção de consenso, poder moderador, conciliação de interesses, exercício de autoridade delegada, composição de opiniões, etc.. Aparentemente solene, são os componentes indispensáveis ao funcionamento de uma administração em regime democrático, mas pode ser que a base aliada esteja "blindando" o executivo a partir da Secretaria da Comunicação. Sabe-se que o atual Secretario desta estratégica pasta tem formação academica superior em Marketing, e que acredita saber vender o "peixe" a ponto achar de venceu as eleições com sua "estratégia" eleitoral, quando se sabe que o povo queria MUDANÇA, descartando Clemente, PT e PCdoB por não convencerem mais os eleitores. Na sobra das opções o povo elegeu aquele que entendeu ser o poderia fazer as mudanças, e resolveu experimentar o novo com suas promessas de saúde pública, etc.. Nada a ver com estratégia de marqueteiro, exceto o Poupa Tempo Saúde (esse argumento sim, foi estratégico para aumentar a motivação dos eleitores).

   Não muito apto na pilotagem da política - atividade que dá sinais de deixar a desejar - o governo parece transformar sua enorme base parlamentar em um gigante desgovernado.

   Talvez ele não saiba ou não tenha dado ouvidos a quem porventura tentou avisá-lo: a mera aquisição de aliados mediante distribuição de cargos não move o moinho. Pode até não parecer, mas o comissionado político não motiva e resolve a engrenagem pública. O voluntarismo, a imposição da vontade, os modos ecumênicos, a afabilidade podem até compor uma imagem simpática de governante, mas não asseguram a competência de governar.

   O aparente relacionamento complicado do prefeito com a opinião pública vem desde o governo anterior e não se resolve com agradinhos, visitinhas e reuniões, reparos nas vias públicas aqui e acolá, uma zoonose "mal explicada" deixando a desejar e promessas que não se realizam.

   Não deve considerar que a opinião pública (não são os únicos) parte do princípio de que o eleitorado nem presta atenção a essas contradições entre o que dizem e o que fazem os políticos. Prestam sim, e muita.

   Ora, a prática mostra que as vezes isso até acontece, mas há um efeito colateral que suas excelências não levam em conta: quanto mais distante ficam suas palavras de seus gestos, maior o passivo de descrédito em relação à atividade política com resultado cada vez mais negativo para quem a exerce.

   E credibilidade que se perde dificilmente se recupera, mesmo se tirar o coelho da cartola. 

 

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