123 - TRILOGIA DO PROFESSOR: SACERDOTE, VAGABUNDO OU COITADO

12/12/2012 06:46

   A abordagem que ora apresentamos com seu contexto político, embora possa não parecer, demonstra a preocupação com a qualidade de ensino nas escolas públicas, e a evidente falta de atenção na formação de cidadãos, crianças. adolescentes e adultos, para o futuro por parte dos governos estaduais e municipais, principalmente na base do ensino fundamental que deveria preparar o educando para os desafios sociais, políticos e profissionais que a vida lhe irá impor. Com essa premissa, transcrevemos o texto abaixo para reflexão sobre o PROFESSOR, o educador que transmite o conhecimento ao educando. Portanto, srs. do legislativo e executivo, lembrem-se que o professor é o precursor da formação dos cidadãos do futuro que estarão mais conscientizados social, profissional e politicamente, se realmente administrarem efetivamente para uma educação pública de qualidade, e destinada a uma democracia soberana.

 

   Autor: Luiz Ricardo

   Fonte: http://tribunaregiao.com.br/opiniao/noticias.php?idNot=19314

   A nossa contemporaneidade se edifica em cima da supervalorização da razão em detrimento à reflexão. A inversão de valores é nítida e hostil à construção do que possa ser chamado de civilização ou do que deveria ser. Estamos vivendo um evidente embuste democrático e sobre o cínico paradigma de uma sociedade de direitos e deveres em balanceamento.

   E é sobre esse verniz, que poderes constituídos e instituições como a família e a escola padecem e toda a sociedade com elas.
   Esses elementos são indispensáveis e indissociáveis à organização de uma sociedade a caminho do estado democrático e de direitos e deveres.
   Uma sociedade, seja ela qual for não encontrará a solução ou amenizará suas crises, sejam elas cíclicas ou crônicas, se não compreender a escola inserida num todo social e der a ela a devida atenção.
   A escola vive uma lamentável deterioração. Uma instituição, entre todas as outras de relevância, que vem assustadoramente perdendo poder e autonomia.
   Professores vitimados a uma infinidade de insultos, agressões, rebaixamento, autoritarismos, inoperância e incompetência.
   Escola, laboratório de insensatez, onde alunos e professores se prestam como cobaias, objetos de experiência, falsas eugenias que muitas vezes são abandonadas pelos seus cientistas ou pela carência de continuidade.

   A um presente pedido de socorro, um grito de alerta e ajuda que ecoa nas paredes pichadas e de formato prisional das escolas. Parece que poucos ou mesmo ninguém ouve. São surdos aos apelos da mídia, dos professores, alunos, diretores, pais e sociedade civil como todo.
   Esta tem sido a biografia dos educadores, em escolas onde reis e plebeus passaram e passarão. Desamparada e esbarrando nas falhas do Estado, da família e na miopia do poder público.
   Democrática ao ponto de querer todos, e incapaz ao ponto de, sob o título de socializadora, sacrificar a todos em nome da inclusão daqueles que não querem estar incluídos. Tentando impor sobre vontade alheia de muitos jovens excluídos de qualquer valor de respeito e limites, sua vontade sem qualquer autoridade. 
   Na linha de frente desse caos, dessa peleja, professores em confronto com o inesperado e sobre risco. Não só pelo fato da insalubridade, constante nas escolas públicas, mas por se manifestar em um país onde 18 dos seus Estados existem leis que restringem à liberdade de expressão dos funcionários públicos, segundo a revista “Carta na Escola”. A mordaça da “lei da mordaça”.

   Enquanto isso, longe dali, ou nem tanto, abrigados em seus gabinetes, decisões são tomadas, por políticos, generais e cientista, ao léu de legionários, cruzados e cobaias desprotegidos e subservientes.
   Não distante, se nada for feito de revolucionário, sobre as escolas só haverá comoção; sem pregação, sem cruzados, e não existirá mais uma causa para que haja uma luta. Vagaremos errantes então, sobre conceitos e preconceitos, entre o sacerdócio, a vagabundagem e o coitadismo.

 

 

 

 

 

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