369 - V.PTA. E A VILA COPA 2014

18/08/2014 07:30

   Desde de março/2014, quando começou as invasões de terras pelos reivindicantes de moradia, o governo municipal se vê às voltas com a mais séria questão social já existente aqui em Várzea Paulista, somado a outros tantos e tão graves problemas de toda ordem na cidade. A herança recebida pelo atual governo aparentemente não foi só cofres vazios e dividas deixadas pelo governo anterior, conforme os argumentos do governo atual, mas um conjunto crônico de problemas sociais enraizados na cidade.

   Sábado, 16/08, o Conselho Tutelar foi até a vila copa 2014, na marginal perto do motel Bar iaqui de Várzea Paulista, conforme agendado com o líder do movimento dos reivindicantes de moradia, para cadastrar e orientar os pais das crianças que lá estão, como também orientar os demais moradores quanto a questão de segurança e condições de risco no local, a partir de uma denuncia da coordenação da Defesa Civil da prefeitura como primeiro passo para as próximas ações.  

   Os moradores, talvez desavisados, não recebeu muito bem a visita do pessoal do Conselho Tutelar, certamente por estarem aborrecidos com a constante pressão e assédio sofrido a partir de funcionários do governo municipal que os tem instado para que desocupem a área, segundo informaram ao Blog.

  A questão envolve o transporte escolar para as crianças, mas que a prefeitura alega não poder atender por não estarem todas na mesma escola, mas quem em 2015 isso seria resolvido com a prefeitura matriculando-as em uma mesma escola segundo promessa do governo. 

   Bom, como o líder do movimento não estava presente para atender os representantes do Conselho Tutelar, através da Notificação de Orientação aos moradores sobre a questão das crianças e a segurança das mesmas no local, a conselheira Marizilda decidiu reagendar nova ação junto aos moradores. O lider chegou logo após a saída do Conselho Tutelar.

   Mas a questão não é tão simples como parece ser, pois não é só o transporte e a segurança das crianças. Tem também a questão da água e da energia elétrica, em uma invasão com cerca de 10 casas já em alvenaria e outros em construção. A água usada são de alguns poços feitos pelos moradores no local, mas só para higiene e limpeza doméstica. A água potável é comprada porque a prefeitura não fornece aos moradores através dos caminhões-pipa, que eles dizem estarem dispostos a pagar se for o caso. Já a energia elétrica, os moradores pegam clandestinamente da CPFL já que não são atendidos para regularização.

   A expectativa da prefeitura é para que a área seja desocupada o quanto antes, e já fizeram muitas reuniões para encontrar um meio legal de remover o pessoal de lá. Como a MRS, da Rede Ferroviária Federal, que aparentemente não tem interesse em pedir a reintegração de posse da terra invadida, a denuncia ao Conselho Tutelar é para ser mais uma estratégia, tentativa e esperança do governo para que o pessoal saia de lá por via judicial, mas que não oferecem uma alternativa viável e prática para resolver este sério problema social. Por outro lado, os quem estavam se dizendo “donos” do local, e que nunca foram donos, já não incomodam mais os moradores.

   E isso tudo em meio a mais uma invasão em curso na região do Mursa/Promeca, o que torna mais difícil, complexo e tenso o diálogo entre os reivindicantes de moradia e governo. De um lado tem-se a insatisfação de parte da população que desaprova a “favela” na entrada da cidade, do outro os reivindicantes que querem seus direitos à moradia previsto na Constituição Federal, e no meio o governo municipal que parece estar com dificuldades para conseguir resolver essa questão toda.

 

 

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