VOCE E SUA MEDIDA PESSOAL!

19/10/2012 10:27

   Autor desconhecido

   Você verá que na vida você recebe exatamente aquilo que dá. Sua vida é o espelho do que você é, ela é feita à sua imagem. Você é passivo, cego, exigente. Você toma tudo, nomalmente aceita tudo sem jamais sentir nenhuma obrigação. Sua atitude diante do mundo e diante da vida é para ser a atitude de quem tem o direito de exigir e de tomar. De quem raramente não tem necessidade nem de pagar nem de ganhar. Você acha que todas as coisas lhe são devidas, simplesmente porque se trata de você! Toda a sua cegueira está aí! Isso não chama a sua atenção. Mas, no entanto, é isso que separa, em você, um mundo de um outro mundo.

   Você não tem medida para se medir. Você vive unicamente segundo "isto me agrada" ou "isto não me agrada". Quer dizer que você só tem apreciação por você mesmo. Você não reconhece nada acima de você - teoricamente, logicamente talvez, mas realmente, não. É porisso que é exigente e continua a acreditar que todas as coisas são baratas, que tem no bolso com que comprar tudo, se você o desejar. Não reconhece nada acima de você, nem fora  nem em você mesmo. É porisso, eu repito, que você não tem medida e vive passivamente segundo seu bel-prazer.

   Sim, sua "apreciação de você mesmo" o cega! Ela é o maior obstáculo a uma vida nova. É preciso poder vencer esse obstáculo, esse umbral, antes de ir mais longe. É o teste que divide os homens em dois tipos: "o joio"e "o trigo". Por mais inteligente, mais dotado, mais brilhante que seja um homem, se não modificar sua apreciação de si mesmo, estará perdido para um desenvolvimento interior, para um trabalho voltado ao conhecimento de si, para um verdadeiro porvir. Êle permanecerá tal qual é por toda a sua vida. A primeira exigência, a primeira condição, o primeiro teste para aquele que deseja trabalhar sobre si é de mudar sua apreciação de si mesmo. Ele não tem que se imaginar, nem mesmo simplesmente crer ou pensar, mas ver coisas nele mesmo que não havia visto antes, vê-las realmente. Sua apreciação nunca poderá mudar enquanto não vir nada nele mesmo. E para que veja, é preciso que aprenda a ver: é a primeira iniciação do homem ao conhecimento de si.

   Antes de mais nada é preciso que ele saiba o que deve olhar. Uma vez que sabe, deve fazer esforços, manter sua atenção, olhar constantemente, com tenacidade. Por força de manter sua atenção, de  não esquecer de olhar, um dia talvez ele poderá ver. Se vir uma vez, poderá ver uma segunda vez, e se isso se repetir não poderá mais deixar de ver. É esse o estado a buscar, o objetivo de nossa observação; é daí que nascerá o verdadeiro desejo, o desejo irresistível de vir a ser; de frios nos tornar-nos-emos quentes, vibrantes; seremos tocados pela nossa realidade.

   Hoje, temos apenas a ilusão daquilo que somos.Nós nos estimamos demais. Não nos respeitamos. Para que eu me respeite, é preciso que tenha reconhecido em mim uma parte superior às outras partes, e que pela minha atitude testemunhe o respeito que tenho por ela. Dessa maneira respeitarei a mim mesmo. E minhas relações com os outros serão regidas pelo mesmo respeito.

   É preciso compreender que todas as outras medidas, o talento, a instrução, a cultura, a engenhosidade, são medidas mutáveis, medidas de detalhe. A única medida exata, que não muda nunca, objetiva, única real, é a medida da visão interior. EU vejo, EU me vejo, com isso você mediu. Com uma parte superior, real, você mediu uma inferior, ela também real. E essa medida, por si mesmo definindo o papel respectivo de uma parte e de outra, o levará ao respeito de si mesmo.

   Mas você verá que isso não é fácil. E não é barato. É preciso pagar caro. Para os maus pagadores, os preguiçosos, os parasitas, nenhuma esperança. É preciso pagar, pagar caro e pagar imediatamente, pagar adiantado. Pagar com o que se é. Com esforços sinceros, conscienciosos, desinteressados. Quanto mais você estiver disposto a pagar sem regatear, sem trapacear, sem nenhuma falsificação, mais você receberá. E, a partir daí, você conhecerá sua natureza. E verá todas as artimanhas, todas as desonestidades às quais ela recorre para não pagar com dinheiro vivo. Por que é preciso pagar com suas teorias gratuitas, com suas convicções enraizadas, com seus preconceitos, suas convenções, seus "isso me agrada" e "isso não me agrada". Sem pechinchar, honestamente, sem fingir. Tentando "sinceramente" ver enquanto utiliza sua moeda falsa.

   Tente por um momento aceitar a idéia que você não é o que acredita ser,  que se estima demais, portanto, que mente a si mesmo. Que se mente sempre, a cada instante, o dia inteiro, toda a sua vida. Que a mentira o governa  a tal ponto que você não pode controlá-la. Você é presa da mentira. Mente em todo lugar. Suas relações com os outros, mentira. A educação que você dá, as convenções, mentira. Seu ensinamento, mentira. Suas teorias, sua arte, mentira. Sua vida social, sua vida familiar, mentira. E o que você pensa de si mesmo, igualmente mentira.

   Mas você não se detém jamais naquilo que faz nem no que diz, porque você acredita em si. É preciso se deter interiormente e observar. Observar sem tomar partido. Aceitando por um tempo a idéia da mentira. E se você observar desta maneira, pagando com o que você é, sem se apiedar, dando todas as suas pretensas riquezas por um momento de realidade, talvez veja de repente o que nunca tinha visto em você até hoje. Verá que você é diferente do que acredita ser. Verá que você é dois. Aquele que não é mas que assume o lugar e desempenha o papel do outro. E aquele que é, mas tão fraco, tão inconsistente que, tão logo aparece, desaparece imediatamente. Ele não suporta a mentira. A menor mentira o faz desfalecer. Ele não luta, não resiste, está vencido de antemão. Aprenda a olhar até que tenha visto a diferença entre as suas duas naturezas, até que tenha visto a mentira, a impostura em você.

Sua Primeira Iniciação com Ser Humano será:

Quando tiver visto suas duas naturezas,

nesse dia, em você, a verdade terá nascido.

 

 

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