VOTO DE CONFIANÇA NAS MULHERES

01/10/2012 07:10

    Por Isabel Vasconcellos

    Fonte: http://www.tudook.com/mulher/voto_de_confianca.html
   Do mesmo jeito que as mulheres ainda estão lutando para assimilar os valores competitivos do mundo masculino em que elas se meteram, e, nesta luta, estão em permanente conflito com parte de sua feminilidade e sua cultura feminina, graças a Deus, na política elas também parecem ter uma certa dificuldade em assimilar os “valores” da corrupção. Pois, afinal, tirando a tal senadora que foi citada como integrante da quadrilha de sanguessugas, nenhuma mulher foi acusada de escândalo algum nos recentes escândalos que abalaram o nosso congresso nacional. O mensalão não foi pago a nenhuma mulher.
   Isto posto, vou votar em mulheres nas próximas eleições.
   Sou paulista e em S.Paulo há candidatas de sobra. Para o senado e para a câmara federal. Não posso citar nomes porque, embora se diga que o nosso país vive uma democracia, estamos todos amordaçados por essa pouco democrática lei eleitoral que, com a desculpa de dar as mesmas oportunidades a todos os candidatos, impede que se fale neles.
   O importante aqui, na verdade, não são propriamente nomes, mas sim o sexo.
   Infelizmente o nosso sexo feminino, como um dos resultados de milênios de desvalorização social, ainda desvaloriza a si próprio.
   Mulher não confia em mulher, não vota em mulher, não procura médica ou advogada, simplesmente porque cada mulher traz dentro de si um tremendo complexo de inferioridade social.
   Cada mulher, no fundo, se julga menos capaz do que qualquer homem, mesmo que o homem em questão seja reconhecidamente uma besta.
   Então, se ela não dá valor a si própria apenas por ser mulher, por que daria valor a outra mulher?
   Está na hora de parar com isso.
   As mulheres são a maioria do eleitorado no Brasil.
   Preste atenção: isso significa que as mulheres podem decidir o resultado das eleições.
   Mas votam no candidato do marido, do padrão, da igreja.
   Se todas as brasileiras decidissem votar em seu próprio sexo, dar um voto de confiança ao seu próprio sexo, entupiríamos a câmara e o senado de saias e batons. E, certamente, estaríamos contribuindo para acabar com essa pouca vergonha que impera na política nacional.
   Mas é apenas mais um sonho tolo dessa que vos fala.
   Nós, mulheres, somos umas coitadinhas sem auto confiança, sem coragem, sem nada. Nunca nos revoltaríamos coletivamente votando nas nossas semelhantes. Ou eu estarei enganada?
   Eleitoras, lembrem de suas avós sufragistas que lutaram, foram presas, perseguidas e até mortas, para que nós, mulheres de hoje, tivéssemos o direito de votar.
   Há excelentes mulheres candidatas. Por que continuar votando em homens?
   O mundo, dominado pelos homens nos últimos milênios, deu nessa porcaria que aí está: guerras, corrupção, pouca vergonha, levar vantagem em tudo, nenhuma solidariedade, nenhuma compreensão, nenhum amor ao próximo.
   Nós, mulheres, temos amor e compreensão de sobra. E temos também capacidade. E queremos um mundo melhor para os nossos filhos.



 

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