Candidato, se você não tiver estratégia então faz parte da estratégia de alguém

05/08/2020

Fazer política é estar sempre em busca da realização de algo que não depende apenas de nós e que exige a participação e o apoio de outros, que são livres para aceitar ou recusar este envolvimento. Como os recursos disponíveis sempre serão escassos, fazer política portanto, supõe sempre escolhas estratégicas. Entretanto, de nada adianta uma boa estratégia, se ela for executada de maneira errada. Não basta definir o que é certo, o que se deve fazer. Não basta saber o que fazer é preciso igualmente saber como fazer. A estratégia política, por sua própria natureza, não é um conhecimento feito de certezas, como é o caso das ciências da natureza, (física e química p. ex.). É um conhecimento construído em meio a muitas incertezas. Por isso deve-se sempre estar preparado para fazer as adaptações, e mudanças necessárias.

A estratégia política também não se constrói com intuições, percepções, palpites e outras manifestações subjetivas. Também não é produto daquela discutível "experiência" que se resume a repetir exemplos do passado como modelos para orientar a ação no presente. Você vai precisar uma estratégia correta para conhecer, analisar, interpretar e prever uma realidade política que muda de maneira incessante. Conceber uma estratégia política é, pois, um exercício intelectual de grande complexidade. Os profissionais mais valorizados da política são, exatamente, os que dominam a ciência e a arte da estratégia política. 

Homens como James Carville, Paul Begala, David Axelrod e Karl Rove, dos partidos democrata e republicano nos EUA, são contratados pelos Clintons, Obamas e Bushes porque detêm um conhecimento,uma sabedoria e uma sensibilidade para a competição eleitoral que seus contratantes, e futuros presidentes da república, não possuem. No Brasil, entretanto e lamentavelmente, muitos dos políticos acham que o problema nem é tão complexo assim. Segundo esses, não é preciso muito esforço para conceber uma estratégia. O resultado está estampado no título deste texto: Se você não tiver sua estratégia é parte da estratégia de alguém. E o que é mais grave: se não sabe disso quando descobrir será tarde.

Os principais erros de campanhas com estratégias mal definidas são as estratégias autodestrutivas. Alguns exemplos:

• A imagem do candidato está em conflito com as características de sua personalidade;

• Uso de várias estratégias ao longo da mesma campanha;

• A qualquer momento a estratégia é forçada a se curvar diante das decisões emocionais e impulsivas do líder;

• Se adota uma estratégia defensiva, que é comandada pela iniciativa dos adversários.

Observadas com um olhar crítico, estratégias equivocadas como essas se assemelham à caminhada trôpega de um embriagado, feita de tropeços, acelerações, paradas, indecisões e voltas. O certo é que, não se conquista nem se mantém o poder com estratégias mal concebidas e incompetentes. Como os adversários estão sujeitos aos mesmos problemas de natureza estratégica que você (definição, escolha e aplicação da estratégia), são três as conclusões inevitáveis:

1. Quem tiver a melhor estratégia e o melhor desempenho para realizá-la deve ganhar e se eleger.

2. Se você não tiver a sua estratégia será parte da estratégia de alguém. Mesmo que não perceba isso.
3. Não é qualquer pessoa que pode definir a sua estratégia. É preciso além de talento criativo, conhecimento científico e prático da política, treinamento para interpretar informações existentes; capacidade para produzir as inexistentes, mas necessárias. Essa é a razão pela qual a cada eleição mais candidatos recorrem ao assessoramento profissional.

Abordagem de Francisco Ferraz

Fonte: Política para políticos