Caso Queiroz é guerra aberta entre Bolsonaro e Doria/Witzel – Parte 1

22/06/2020

Não é só a suposta "guerra" Bolsonaro vs. STF... segundo o jornalista José Antônio Severo, em sua abordagem no site Os Divergentes, tem também a guerra declarada entre Bolsonaro e os governadores Doria/SP e Witzel/RJ, cujos estados abrem fogo contra Brasília. Segundo o jornalista, "em uma ação combinada os sistemas judiciais do Rio de Janeiro e São Paulo (tribunal, procuradores, policiais) conseguiram plantar uma cabeça-de-ponte para desembarque no território adversário. A Justiça carioca deu as armas para as polícias dos governadores Wilson Witzel (RJ) e João Doria (SP) prenderem o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiróz. O resultado dessa batalha somente será conhecido em quatro ou cinco meses, quando as urnas das eleições municipais falarem.

O presidente sentiu o golpe, mas era uma manobra esperada há muito tempo. Queiroz estava ali, guardado, para ser usado no momento certo. O momento foi agora, quando, como deixou escapar a deputada Carla Zambelli, na sua inconfidência desastrada, Bolsonaro estava pronto a usar as suspeitas de corrupção na compra de material médico para intervir nos estados" e destituir Witzel e Doria, como fez Arthur Bernardes, presidente de 1922 a 1926, que instituiu Estado de Sítio e aplicando intervenção federal em vários estados, inclusive na Bahia, Pernambuco e no próprio Rio de Janeiro, destituindo seus governadores.

Na abordagem do jornalista, "Witzel já está tonto, nas cordas, à espera de um impeachment para lá de provável, e que sua base parlamentar derreteu-se e só se ouve elogios ao vice-governador. Bolsonaro ganharia um aliado com o vice-governador do RJ, Cláudio Bomfim de Castro e Silva, "político ideológico oriundo das bases mais conservadoras do catolicismo, a tendência Renovação Carismática, é o coordenador do Ministério da Fé e Política da Arquidiocese do Rio de Janeiro, apresentado como cantor gospel e compositor sacro."

Em São Paulo o governador João Doria consolida sua posição de arquirrival do presidente Bolsonaro. Foi sua tropa de elite, o DOPE, que realizou a captura de Queiroz, numa operação tão secreta que nem mesmo os espiões federais tiveram conhecimento do alvo quando se organizava a ação, em cooperação com a seção da OAB de Campinas. Uma operação sem furos, diferentemente da invasão da casa do advogado Felipe Belmonte, vice presidente do partido Aliança, em Brasília, pela PF, sem cobertura legal da Ordem dos Advogados. Para não correr riscos, e mostrar a todo o mundo que não está para brincadeira, Doria remeteu Queiroz para Witzel num helicóptero próprio do governo de São Paulo. Coisa de profissional."

Bolsonaro não se assustou. Estaria no seu elemento, quando é atacado em todas as frentes. Sempre foi assim como deputado e, desde que assumiu, na Presidência. Sua estratégia é manter-se na ofensiva em contra-ataques fulminantes. Sua criatividade é impressionante, capaz de criar conflitos nas áreas mais inesperadas, abafando, assim, a pressão que estava sobre seu pescoço. Porém, seus antagonistas conseguiram um espaço para lutar contra ele, o Poder Judiciário. Está sob fogo inimigo na Justiça comum, STF, tribunais federais e estaduais, em primeira instância e na Justiça Eleitoral. Não é pouco.

O jornalista considera que "do lado do presidente, ele conseguiu anular suas áreas de dificuldades: pulverizou o Congresso numa constelação de minorias, que se não impedem derrotas, também não têm força para viabilizar minimamente uma proposta de impeachment. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está às voltas com mais de duas dezenas de denúncias, sem condições de abrir alguma delas, sob pena de se desmoralizar. Em contrário, isto é motivo para críticas de seus adversários, que o enfraquecem dizendo que é fraco. Coisas da política. Bolsonaro garante-se à retaguarda com uma composição de governo sui generis.

São quatro compartimentos. No primeiro, a família. Há o ideológico, trincheira fiel inexpugnável, como se demonstra na sustentação de ministros insustentáveis, como foi por muito tempo o caso do recém afastado Abraham Weintraub. Outro é o grupo de ministros chamados no mercado como o núcleo dos competentes, como a ministra da Agricultura Tereza Cristina, e os ministérios consequentes, como da Infraestrutura, da Ciência e Tecnologia, da Saúde (embora periclitante por causa da pandemia) e os demais dessa linha, incluindo aí o ministro da Economia, Paulo Guedes, que não se imiscui nos ninhos de marimbondos da política, mas também não dá murros em pontas de facas, mantendo a confiança dos segmentos econômicos, mercados e produção. Também os constrangidos militares. E assim vai.

... continua na parte 2...