Covid-19 chegou em todas as cidades paulistas

31/08/2020

Após seis meses, o Covid-19 atingiu todas as 645 cidades do estado de São Paulo, com o município de Santa Mercedes, com menos de 3 mil habitantes, registrando neste final de semana o primeiro caso da doença. Portanto, segundo o Ministério da Saúde em 30/08 às 18h, o estado de SP registrou 803.404 casos de Covid-19, sendo 32,1% na capital, 18,5% na região metropolitana e 49,5% no interior, e com 29.978 óbitos já registrados, sendo 38,0% na capital, 24,9% na região metropolitana e 37,0% no interior. O estado todo deve ultrapassar hoje as 30.000 mortes nos indicadores do governo, o maior de todos os estados brasileiros, seguido da Bahia (256.062 casos e 5.344 óbitos), Rio de Janeiro (223.302 casos e 16.027 óbitos) e Minas Gerais (215.050 casos e 5.326 mortes)

Assim como o Estado, a capital paulista é o foco principal da pandemia, o maior de todas as cidades do Brasil, com 257.778 casos e 11.400 óbitos. De acordo com a previsão do prefeito Bruno Covas, ainda é para ter 1.600 covas disponíveis das 13.000 que disse que iria disponibilizar. Aqui em Várzea Paulista foi registrado, até dia 28/08, 1.320 casos e 71 óbitos. Segundo se observa, a cidade está retomando o ritmo "normal" das atividades comerciais, assim como as demais atividades, com as devidas restrições, inclusive em todo o aglomerado urbano da região, após praticamente 6 meses de "quarentena" imposta pelos governantes.

Se o Covid-19 foi usado politicamente pelos governantes, segundo avaliações de bastidores, entende-se hoje que as secretarias e gestões de saúde não souberam como enfrentar adequadamente o problema da prevenção e do atendimento epidemiológico adequado, aparentemente deixando a população a mercê de si mesma em meio às tentativas de descobrir o que fazer, principalmente a partir da recomendação do ex-ministro da Saúde, Mandetta, que comentam ter cometido 2 erros graves: 1) que só fosse buscar atendimento se sentisse falta de ar (sintoma mais grave do Covid-19), e 2) os profissionais de saúde e pessoas com sintomas deveriam usar máscaras. Claro, quando "caiu a ficha" no início de abril, Mandetta passou a recomendar o uso de máscara caseira para todos, indistintamente. Bom, considerando que se a máscara tivesse sido recomendada desde o inicio de março, certamente a contaminação seria reduzida, melhor controlada e com menos óbitos.

Dois pontos decisivos podem ser considerados no desastre da expansão da pandemia em SP: 1) o prefeito de São Paulo e o  governador do estado afirmarem, no final de janeiro, antes do carnaval portanto, que não havia motivos para alarme e que SP estava "preparado" para enfrentar o coronavírus. Apenas foi criado o comitê de crise para acompanhamento da pandemia, mesmo com o governo federal decretando estado de emergência dia 04/02. 2) Bruno Covas decretou o rodizio de carros na capital, esse talvez o maior erro técnico e político do prefeito de SP e governo do estado, provocando aumento do congestionamento de pessoas nos meios de transportes e, consequentemente, o aumento das contaminações e óbitos na capital, e daí para o interior do estado. 

Ora, São Paulo é o centro dos negócios que movimenta as pessoas e a economia de todo o estado. Não surpreende que o Covid-19 tenha chegado em todas as cidades de SP... em todas. Entretanto, o maior e deplorável pecado de alguns governantes e agentes públicos, parece ser o de se aproveitarem da pandemia para promover a corrupção em detrimento de salvar vidas. Isso é crime contra a humanidade. O primeiro governante a ser pego foi o governador do Rio,  Witzel, mas a expectativa é que deve cair outros governantes com as investigações da Polícia Federal, lembrando que o STF, em abril, decidiu que governadores e prefeitos poderiam decretar quarentena, impedindo ações diretas do governo federal nos estados e municípios...