Doria, PSDB, pressiona governo federal para aprovação da vacina chinesa

17/10/2020

Sem ser surpresa, João Doria, governador de São Paulo pelo PSDB, depois do fracasso no intento de conseguir liderar os governadores contra o presidente Bolsonaro, depois de filiar Alexandre Frota no PSDB e trazer para seu lado a deputada Joyce Hasselman para tentar comprometer o presidente e seus filhos no suposto "esquema" das fakenews, depois de "apoiar" Mandetta contra o presidente, depois ficar a favor de Sérgio Moro para tentar desgastar Bolsonaro, depois de pedir para o ministro Paulo Guedes abandonar o governo, depois de "estranhar" o afastamento de Wytzel por corrupção no Rio, e estar sob suspeita de que as medidas para contenção do Covid-19 no estado SP foram inadequadas, agora o Doria intenta "impor" a vacina chinesa como obrigatória aos paulistas, inclusive ameaçando com medidas "necessárias" à vacinação a quem se recusar a tomar, da mesma forma que ameaçou prender quem descumprisse a quarentena imposta em SP.

Mas, segundo avaliações nos meios políticos, Doria certamente está pensando em se tornar uma espécie de "herói" que venceu o Covid-19 com a vacina chinesa, e com isso se tornar apto a ser eleito o próximo presidente da República em 2022, e já pressiona para iniciar o processo de liberação da Coronavac na Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os últimos testes da fase 3 da vacina, desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, já foram realizados até ontem, 16/10, e na segunda-feira, 19/10, os resultados serão enviados para a Anvisa. Acredita-se que até 15/12 São Paulo tenha autorização para imunizar profissionais da saúde e depois ampliar para outras faixas da população. João Doria, PSDB, deixou claro que, caso o processo demore além do esperado, vai tentar encurtar o caminho, e disse em indisfarçável tentativa de constrangimento federal:

"O que não vamos admitir é a politização da vacina. Não há hipótese de o governo de São Paulo e eu, como governador, aceitarmos qualquer colocação postergatória, do Ministério da Saúde ou da Anvisa, para não iniciar a vacinação o mais rapidamente possível. Estamos falando de salvar vidas e, para isso, São Paulo utilizará todos os recursos necessários. Primeiro, no entendimento com o diálogo republicano, mas se isto não ocorrer, saberemos como utilizar mecanismos outros para fazer valer a vacina, ao menos para os brasileiros que vivem aqui", comentou o governador do PSDB.

Certamente o posicionamento de Doria deve-se ao Ministério da Saúde ter ignorado a vacina chinesa no cronograma divulgado na quarta-feira, 14/10, que tem no calendário apenas a vacina de Oxford, que está em fase de testes e será produzida pela Fiocruz, da qual está previsto que 100 milhões de doses sejam enviadas ao Brasil no primeiro semestre de 2021 e de 100 milhões a 165 milhões de doses no segundo semestre. Além disso, a pasta não liberou recursos que estavam sendo negociados para fortalecer a parceria de São Paulo com os chineses. A posição do Ministério da Saúde motivou a carta assinada pelo Conass, Conselho Nacional de Secretários de Saúde, enviada ontem ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pedindo que o governo federal compre a primeira vacina contra Covid que ficar pronta e for aprovada pela Anvisa.

Bom, Doria disse que irá a Brasília na quarta-feira, 21/10, último dia que o governador de SP "concedeu" para aprovação da vacina chinesa. Ele vai conversar com representantes do Ministério da Saúde e da Anvisa nesse dia, e comentou: "Vamos em missão de paz, mas com a certeza que desejamos ter a vacina para os brasileiros de São Paulo e do Brasil." Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que avalia constantemente novas possibilidades para um imunizante e "permanece em contato com o Butantan e outros institutos nacionais que buscam parcerias com laboratórios estrangeiros"

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina que ficar pronta primeiro, atendendo todos os critérios de segurança e eficácia exigidos pela Anvisa, "será uma opção para aquisição", e que já firmou duas parcerias - com AstraZeneca e Covax Facility -, que somam aquisição de 140 milhões de doses para a população brasileira. O Ministério da Saúde acompanha mais de 200 estudos que buscam a identificação de vacina contra a Covid, com o objetivo de encontrar cura efetiva e segura para a doença: "A intenção é disponibilizar aos brasileiros, tão cedo quanto possível, vacina eficaz, em quantidade e qualidade para atender a população".

Obs.: São Paulo investiu US$ 90 milhões (cerca de R$ 507 milhões) em contrato de fornecimento de 46 milhões de doses da vacina chinesa, Coronavac, até dezembro 2020.