E agora PSDB? A justiça também chegou para vocês...

Revisamos e atualizamos o Opinião do dia 20/09/2018, publicada na versão anterior do Blog, e que reproduzimos a seguir:

Com a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidindo nesta terça-feira, 14/05, aceitando a denúncia contra Aécio Neves, do PSDB, por suposta prática de corrupção passiva e obstrução de Justiça como senador, o deputado federal passa a ser oficialmente réu. Pouco antes disso, a Justiça negou recurso e mantém o bloqueio de bens de Alckmin por improbidade administrativa. Bom... agora que Aécio Neves é réu por corrupção passiva e obstrução de Justiça no escândalo da JBS, e Geraldo Alckmin com seus bens bloqueados por improbidade em meio às disputas internas no PSDB, incluído o medo, consolida a simples perspectiva de um partido, com sintomas visíveis de corrupção, deixa o militante no mínimo constrangido. É compreensível. Após anos de hegemonia no Estado de S.Paulo e Minas, beira mesmo o absurdo a hipótese do PSDB, hoje com 2 presos: Azeredo da Silveira e Paulo Preto, seguir os passos do PT, em tão pouco tempo. 

E não só isso. Também assusta imaginar como seria se o governador Dória estabelecer controle total do partido e fazer uma "faxina" para oxigenar o quadro partidário. E mais, e se Dória for vingativo e disposto a pôr em prática sua agenda à direita? Não se sabe, mas quem há de negar? Por outro lado, a ideia de um novo formato no partido não se mostra menos dramático. Comentam que Dória inclusive cogita mudar o nome do partido, talvez incorporando o PSDB ao DEM. A começar pelo óbvio, o fato é pode vir a ser um partido todo remodelado e alinhado com o governo federal. Dória, um político ambicioso, cujo grande mérito foi o de ter compreendido a repulsa popular pela esquerda e dela ter se aproveitado para a fabricação de um personagem. Como se isso não bastasse, ao usar da retórica bolsonarista passou a ser estimado pelo eleitorado e venceu o adversário do PSB, Márcio França, que era considerado praticamente eleito a governador de São Paulo.

Contudo, para além das dúvidas provocadas por uma autêntica escolha de Sofia, e embora o próprio partido ainda suscite intranquilidade, não cabem ponderações a respeito de um grupo cuja atuação foi fundamental para o atual estado de coisas, em todos os piores momentos vividos pelo Brasil nos últimos quinzes anos e, ao que tudo indica, também naqueles que virão. É o que se vislumbra no horizonte dos tucanos. Desde a redemocratização, não houve legenda mais em cima do muro que o PSDB. Não existiu grupo de pessoas mais vaidoso. Não houve. A eleição perdida em 2018 tende a impor-lhes o começo do fim, turma mais descomprometida com o país do que o Partido da Social Democracia Brasileira.

Que o diga o PT. Ao longo do período em que o partido liderado por Lula ficou encastelado no poder, saqueando os cofres públicos e aparelhando o sistema para perpetuar uma perversa dinastia, o Brasil não pôde contar com os tucanos. Em seus melhores momentos, a oposição foi tímida. Nos piores, e esses se repetiram durante a maior parte do tempo, simplesmente inexistiu. E o que ainda é mais grave, não foram poucas as vezes em que os peessedebistas - incluindo aquele que foi o nosso maior presidente nos últimos trinta anos - se empenharam em sabotar os próprios interesses. Ou a não expulsão de Aécio Neves pode ser vista de outra forma? Também não preciso recorrer às declarações muitas das vezes inacreditáveis feitas por Fernando Henrique Cardoso, nem tampouco à tradicional barafunda que impera no tucanato paulista. Há a questão do elogiado senador Tasso Jereissati vir a público tratar do "conjunto de erros memoráveis" do partido. E ainda fez questão de pontuar que "o grande erro" foi ter entrado no governo Temer.

Não é comovente? Quer dizer, em um cenário em que seu adversário é prático até a medula, incapaz de admitir até a culpa mais óbvia, o sujeito resolve deitar no divã em plena praça pública para expor as mazelas do partido. Falando do Aécio, ressalta-se os sincericídios de FH e Tasso, mas a verdade é que a lista de tucanos com rabo de pavão é extensa. Haja vaidade. Haja descompromisso com a tão importante disputa das narrativas. O resultado da eleição 2018 não vem ao caso. Não agora. Entretanto, fica cada vez mais claro quem é o grande derrotado. Convenhamos, fizeram por merecer.


Adaptação da abordagem de Mario Vitor Rodrigues

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/mario-vitor-rodrigues/parabens-psdb-voce-conseguiu/