Ex-vereador do PT de Várzea Paulista é denunciado pela revista Veja SP

Os jornalistas Sérgio Quintella e Ricardo Chapola, em matéria no dia 31/05 com o tíltulo de "As mordomias da Assembleia Legislativa, que custa 1,3 bilhão por ano", denunciaram existir indícios de beneficiamento próprio com dinheiro público que não se resumem a ex-deputados. O ex-vereador do PT em Várzea Paulista até 2014, hoje advogado, Luciano Braz de Marques, funcionário da liderança do PSB desde 2017, recebe R$ 21.000,00s por mês da Alesp, Assembleia Legislativa de São Paulo, mas cumpre expediente em Várzea Paulista, a 50 quilômetros da capital, onde mantém um escritório. Sua rotina é constantemente ostentada em postagens no Instagram. 

Desde que passou a atuar na Assembleia, sua carreira prosperou. De 2018 para cá, o advogado tornou-se responsável por 33 processos em tramitação na Justiça. "Com a internet, consigo dar retornos a distância. Mesmo assim vou toda semana à Assembleia", afirma. Após ser procurado pela reportagem e questionado sobre não dar expediente no Palácio 9 de Julho, Marques comunicou na última terça-feira (28) que pediu exoneração do cargo.

Do seu lado, o ex-vereador negou de forma veemente a reportagem publicada pela revista Veja SP. Quanto à exoneração, ele informa que a decisão de deixar a Assembleia Legislativa nada tem a ver com a publicação. Em outro meio de comunicação, Jundiaí Agora, ele apresentou comprovante de que recebia cerca de R$ 8.000,00 por mês, e que a reportagem da Veja SP "não coaduna com a verdade dos fatos e por isto estamos tomando as medidas cabíveis em relação à publicação" e que "sobre os rendimentos, esta é a média dos meus vencimentos" e que "apenas em 2019, quando recebi férias e uma outra função momentânea, os valores tiveram acréscimo", explicou. Quanto a ter de dar expediente na Assembleia Legislativa, o ex-vereador explicou que "exercer atividade fora da Alesp é legal e normal. A maioria das assessorias fazem desta forma. Exemplo de um deputado de Presidente Prudente que tem parte da assessoria na cidade e não na Assembleia". Quanto ao pedido de exoneração, Luciano Braz de Marques disse que pediu para deixar o cargo na casa de leis para se dedicar exclusivamente à advocacia.

Entretanto, não foi comentado que, como funcionário público na Alesp, defendeu cliente contra o DETRAN no processo 1027326-89.2019.8.26.0053, 7a Vara da Fazenda Pública, Foro Central, enquanto era funcionário, e isso não é permitido por lei já que a Dersa é empresa pública estadual. Sendo remunerado pelo governo paulista na Alesp, o hoje advogado Luciano era impedido de advogar contra autarquia estadual segundo o Estatuto da Advocacia. 

O ex-vereador do PT e advogado, Luciano Braz de Marques, entrou para a Alesp como assessor do então deputado pelo PSB, Jr Aprillanti.