Gilmar Mendes, habeas corpus de Lula, Suspeição e os ares de beatificação de Sérgio Moro

Então... por mais que os advogados e Lula, PT e jornalistas simpatizantes se esforcem e tentem de "tudo", o Habeas Corpus no STF parece ainda distante de conseguir tirar Lula da prisão, ou mesmo ser apreciado e votado em sessão da Segunda Turma. O ministro Gilmar Mendes colocou e ele mesmo tirou da pauta, talvez porque teve a intuição de que o voto do ministro Celso de Melo, com os dos ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia, derrotasse os votos dele e de Lewandowski. 

O jornalista Andrei Meireles escreveu no Os Divergentes (vale a pena conferir), que "no mundo jurídico, há quem atribua o adiamento da apreciação do habeas-corpus de Lula ao receio dos ministros pró-Lula sobre o voto do decano Celso de Mello, que, se não gostou da troca de mensagens, estaria incomodado com as ilegalidades nos grampos. Há outra questão tão relevante quanto os supostos embaraços legais, o conteúdo das conversas. Elas não destoam do dia a dia no Judiciário em todas as instâncias. Muito pelo contrário." 

Em seu Blog, o jornalista Josias de Souza escreveu sobre como o comportamento do ministro Gilmar Mendes parece beatificar o ministro da Justiça Sérgio Moro, e que transcrevemos abaixo:

"Gilmar Mendes colocou o Supremo numa enrascada ao surfar o caso das mensagens trocadas entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol. O ministro achou que seria uma boa ideia devolver à pauta da Segunda Turma um habeas corpus que guardava na gaveta havia seis meses. Nele, a defesa de Lula pede a suspeição de Moro, a anulação do caso do tríplex e a libertação do presidiário petista. Inicialmente marcado para esta terça-feira, o julgamento subiu no telhado.

Não é preciso que um hacker invada o celular de Gilmar para saber o que o ministro pensa sobre a Lava Jato. Diante das lentes da TV Justiça, Gilmar já se referiu aos procuradores de Curitiba como "gentalha", "gente desqualificada", "despreparada", "covarde", "gângsteres", "cretinos" e "infelizes". Acusou-os de integrar "máfias, organizações criminosas." Disse que "força-tarefa é sinônimo de patifaria." Foi movido por esses conceitos que Gilmar enxergou nas mensagens que expuseram a cumplicidade entre Moro e Dallagnol uma oportunidade a ser aproveitada. Apressou-se em dizer que provas obtidas de forma ilícita podem ser usadas em benefício de condenados injustamente. O diabo é que Moro e os procuradores inocularam nas tais provas o vírus da dúvida. As mensagens podem ter sido adulteradas, eles alegam.

É contra esse pano de fundo que Lula gostaria de arrancar do Supremo a anulação da sentença do tríplex. Deseja-se enterrar o elevador, a cozinha de luxo, a sauna e outros confortos que a OAS instalou no apartamento do Guarujá. Pede-se que sejam ignorados também o TRF-4 e o STJ. Tudo isso a cinco dias de uma manifestação de rua em defesa da Lava Jato. De repente, o que parecia oportunidade para desbancar um ex-juiz, ganhou a aparência de um processo de beatificação de Sergio Moro."

Abordagem de Josias de Souza

Fonte: https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/06/24/suspeicao-de-moro-ganhou-ares-de-beatificacao/


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