Importância de Lula no cenário político no caso da progressão da pena

11/10/2019

Transcrevemos parte da abordagem de Leo Cavalcanti, editor do Correio Brazilense, sobre os movimentos em torno da progressão do regime da pena do ex-presidente Lula, que reabre a discussão sobre a importância do petista no atual cenário político:

"Nas últimas três décadas, o Partido dos Trabalhadores sempre esteve como protagonista do cenário eleitoral do país. Por mais que legendas como PSDB, PMDB, DEM (ex-PFL), PDT e PSB sempre se mostrassem competitivas em relação a candidatos próprios ou simplesmente apoios, o PT pode dizer - e por que não, se orgulhar - que participou de todas as eleições para ganhar ou ficar em segundo lugar. E o protagonista de todas as disputas foi Lula, mesmo quando, em 1994 e 1998, viu o tucano Fernando Henrique Cardoso vencer no primeiro turno.

Vale lembrar que, mesmo quando perdeu, o PT avançou algumas casas nas eleições estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado. O próprio Lula, ainda que derrotado por Fernando Collor (1989) e FHC, conseguiu sair maior dessas eleições, levando a melhor em 2002 contra José Serra e, em 2006, contra Geraldo Alckmin. Mas a lógica não se repetiu nas eleições de 2018, apesar de o plano inicial de Lula ter funcionado. Apesar de estar preso, o ex-presidente adiou a definição do nome de Haddad até o limite da legislação, mesmo com os riscos de não emplacar o nome do pupilo diante dos eleitores. O ex-prefeito cresceu e chegou ao segundo turno. Uma série de circunstâncias, como a facada em Bolsonaro, a má escolha do nome da vice e as fake news, amarraram Haddad. 

Mas o problema para o PT veio depois da campanha. Depois da eleição, o PT não avançou para além das urnas, como conseguiu em outros períodos pós-campanha. Haddad, apesar de ter conquistado 47 milhões de votos, caiu na armadilha das disputas internas e o partido se isolou nos principais movimentos do Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado. Assim, Lula é o principal motor do partido. E os movimentos "sai-deixa-cadeia" apenas reforçam tal aspecto, amplificado quando, por exemplo, recebe o título de cidadão honorário de Paris, na semana passada. inegável a força política de Lula, mas há um detalhe: ela só reforça a polarização com Bolsonaro", diz Ivo Coser, coordenador do grupo de teoria política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Com chances próximas a zero de voltar a ter direitos políticos, mesmo fora da cadeia , Lula se divide em polos com Bolsonaro sem permitir que outros candidatos de centro-direita ou centro-esquerda, como João Doria, Luciano Huck e Ciro Gomes, quebrem a polarização. "O maior desejo do governo é a polarização com Lula", avalia Coser. "A tendência é de maior acirramento do debate político com a saída de Lula da cadeia. E isso não é má notícia para Bolsonaro", diz Antônio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap)."

Abordagem de Leonardo Cavalcanti

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/10/06/interna_politica,795078/movimentacao-reabre-discussao-sobre-importancia-de-lula-no-cenario-pol.shtml


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