Importância de Lula no cenário político no caso da progressão da pena

Transcrevemos parte da abordagem de Leo Cavalcanti, editor do Correio Brazilense, sobre os movimentos em torno da progressão do regime da pena do ex-presidente Lula, que reabre a discussão sobre a importância do petista no atual cenário político:

"Nas últimas três décadas, o Partido dos Trabalhadores sempre esteve como protagonista do cenário eleitoral do país. Por mais que legendas como PSDB, PMDB, DEM (ex-PFL), PDT e PSB sempre se mostrassem competitivas em relação a candidatos próprios ou simplesmente apoios, o PT pode dizer - e por que não, se orgulhar - que participou de todas as eleições para ganhar ou ficar em segundo lugar. E o protagonista de todas as disputas foi Lula, mesmo quando, em 1994 e 1998, viu o tucano Fernando Henrique Cardoso vencer no primeiro turno.

Vale lembrar que, mesmo quando perdeu, o PT avançou algumas casas nas eleições estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado. O próprio Lula, ainda que derrotado por Fernando Collor (1989) e FHC, conseguiu sair maior dessas eleições, levando a melhor em 2002 contra José Serra e, em 2006, contra Geraldo Alckmin. Mas a lógica não se repetiu nas eleições de 2018, apesar de o plano inicial de Lula ter funcionado. Apesar de estar preso, o ex-presidente adiou a definição do nome de Haddad até o limite da legislação, mesmo com os riscos de não emplacar o nome do pupilo diante dos eleitores. O ex-prefeito cresceu e chegou ao segundo turno. Uma série de circunstâncias, como a facada em Bolsonaro, a má escolha do nome da vice e as fake news, amarraram Haddad. 

Mas o problema para o PT veio depois da campanha. Depois da eleição, o PT não avançou para além das urnas, como conseguiu em outros períodos pós-campanha. Haddad, apesar de ter conquistado 47 milhões de votos, caiu na armadilha das disputas internas e o partido se isolou nos principais movimentos do Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado. Assim, Lula é o principal motor do partido. E os movimentos "sai-deixa-cadeia" apenas reforçam tal aspecto, amplificado quando, por exemplo, recebe o título de cidadão honorário de Paris, na semana passada. inegável a força política de Lula, mas há um detalhe: ela só reforça a polarização com Bolsonaro", diz Ivo Coser, coordenador do grupo de teoria política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Com chances próximas a zero de voltar a ter direitos políticos, mesmo fora da cadeia , Lula se divide em polos com Bolsonaro sem permitir que outros candidatos de centro-direita ou centro-esquerda, como João Doria, Luciano Huck e Ciro Gomes, quebrem a polarização. "O maior desejo do governo é a polarização com Lula", avalia Coser. "A tendência é de maior acirramento do debate político com a saída de Lula da cadeia. E isso não é má notícia para Bolsonaro", diz Antônio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap)."

Abordagem de Leonardo Cavalcanti

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/10/06/interna_politica,795078/movimentacao-reabre-discussao-sobre-importancia-de-lula-no-cenario-pol.shtml


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