Lava Jato, MPF e Operação Revoada contra o senador José Serra, PSDB

04/07/2020

Em dia de inesperado inferno astral para o senador José Serra, sexta-feira 03/07, a Polícia Federal deflagrou a Operação Revoada com 8 mandados de busca e apreensão, sendo um deles na casa do senador em São Paulo, e ainda foi denunciado pela Lava Jato, junto com sua filha Verônica Allende Serra, por ocultarem e dissimularem dinheiro, proveniente de crimes por pelo menos oito anos, através inúmeras operações bancárias, notadamente de corrupção passiva e ativa, de fraudes à licitação e de cartel, praticando com isso atos de lavagem de capitais tipificados no art. 1º da Lei nº 9.613/1998. Conforme a denuncia, a filha de Serra agia em parceria com o pai e atuava em nome dele para dificultar a atuação dos órgãos de controle.

Segundo o MPF, Ministério Público Federal, Serra valeu-se de seu cargo e de sua influência política para receber pagamentos indevidos da Odebrecht, em troca de benefícios referentes às obras do Rodoanel Sul. Nesse contexto, Paulo Preto era o diretor de engenharia da DERSA, e José Serra o governador. De acordo com a investigação, milhões de reais foram pagos por meio de complexa rede de Offshores no exterior, que não tinham qualquer base em operações comerciais licitas. A integra da denúncia pode ser conferida abaixo:

Bom, é do conhecimento da opinião pública que o PT sempre acusou a Lava Jato de perseguir o partido como alvo exclusivo. Entretanto, a Lava Jato também pegou PT, PP, PMDB, DEM, PDT, PR, PSD, Solidariedade, PSC e outros peixes menores, seja de direita, centro e esquerda. Enfim, todo o espectro partidário foi alvo das investigações. Com a denúncia contra José Serra, depois de colocar Aécio Neves em apuros, a Lava Jato enterra de vez o PSDB raiz. Ambos, Serra e Aécio, tucanos emplumados e ex-candidatos a presidência da República, eram rivais dentro do partido. Portanto, a Lava Jato uniu os dois para sempre na vala comum onde está Lula e, mesmo se mostrando completamente opostos, comenta-se nos bastidores que PT e PSDB são irmãos siameses.

E, claro, José Serra reagiu e emitiu Nota classificando a ofensiva contra ele e sua filha Verônica Allende Serra, e contra outros nomes ligados ao PSDB, como completamente desarrazoada, e que a operação tem como base fatos antigos e prescritos. Também em Nota, o PSDB diz ter "absoluta confiança" em José Serra, principal alvo da operação Revoada. o governador de São Paulo, João Doria, PSDB, comentou na coletiva de imprensa que: "Quero começar declarando meu apoio à Lava Jato, como já fiz inúmeras vezes, quando prefeito da capital de São Paulo e quando governador do estado de São Paulo. Defendo a ampla e irrestrita investigação dos fatos, sempre que houver questionamento envolvendo recursos e agentes públicos, mas jamais condenar por antecipação. A justiça existe para avaliar, julgar e apenas depois da decisão da justiça é que nós poderemos nos manifestar plena e definitivamente".

No entanto, e independente deste imbróglio todo, José Serra é um dos raros políticos do PSDB que fez algo reconhecidamente a favor da população, com o mérito de ter,  quando ministro da Saúde em 1999, retomado o Projeto de Lei 2022/1991, do então médico e deputado Eduardo Jorge, e que se limitava a impressão do princípio ativo com destaque na embalagem do medicamento. Removendo obstáculos, e com diversas emendas parlamentares, Serra conseguiu que o projeto fosse atualizado e transformado na Lei nº 9.787, de 10 de Fevereiro de 1999, conhecida hoje como Lei dos Medicamentos Genéricos, o que promoveu grande redução de preços ao consumidor. Serra negou, na época, ser o pai da lei dos medicamentos genéricos.