Mais uma semana “difícil”: da Operação Fiat Luz à inauguração da Transposição do rio S. Francisco

Então... esta "difícil" semana que está terminando, tão social e politicamente "normal" quanto as anteriores, ganhou mais espaço que o Covid-19 na grande mídia:

1) O noticiário voltou a estampar as ações da Lava Jato nas manchetes desta semana. Na quinta-feira 25/06, a PF foi às ruas na Operação Fiat Lux para cumprir 12 mandatos de prisão e 17 de busca e apreensão referente fraudes na Eletronuclear, em um desdobramento das operações Radioatividade, Pripyat, Irmandade e Descontaminação, que apuram desvios de recursos em contratos da Eletronuclear no âmbito da Lava Jato nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Entre os investigados estão um ex-ministro, um ex-deputado federal, empresários e ex-executivos da estatal, além de pessoas que contribuíram para lavagem de ativos. A Lava Jato pediu também o sequestro dos bens dos envolvidos e de suas empresas pelos danos materiais e morais causados no valor de R$ 207,8 milhões de reais.

2) Enquanto várias secretarias de Saúde estão sendo investigadas por corrupção e improbidade administrativa, a mais recente pesquisa do DataFolha, mostra que a aprovação do governo Bolsonaro segue estável na opinião pública apesar de todos os esforços para desgastá-lo com o caso Queiróz, certamente para frustração e desgosto dos que querem tirá-lo do poder. Claro, as esperanças e esforços da esquerda em retomar o poder continuam "vivas" e atuantes. Militância não falta e não desistem. Parece haver estratégias de atuação em todas as "frentes": políticas, sociais e judiciais, tal qual quando fizeram Collor renunciar em 1992 (para escapar da cassação), e na tentativa de cassar e tirar FCH da presidência em 1999 (salvo no Congresso pelo PFL, PMDB e PSDB).

3) O DataFolha também divulgou que os índices de aprovação aos governadores na pandemia do Covid-19 caiu de 58% de ótimo/bom em abril, para 44% de aprovação na última pesquisa, e o índice ruim/ péssimo subiu de 16% para 29%. A população pode estar desacreditando na capacidade de controle da pandemia por alguns governadores, entre os quais está incluído o do Estado de São Paulo, João Dória, que continua governando com o maior índice de contaminações e óbitos de todo o Brasil, esticando a quarentena do dia 28/06 para o dia 14/07, e promovendo a reabertura gradual da atividades comerciais, sociais e religiosas. Quem observa a movimentação de pessoas nas ruas, comenta que as pessoas parecem não se importar com as recomendações e medidas do governo de SP depois de 90 dias de quarentena, que já parece interminável, e questionam se o governo de SP sabe o que faz.

4) Deixando ou não os opositores e oposição contrariados e envergonhados, segundo os bastidores, 14 anos depois de iniciada as obras em 2007, Bolsonaro inaugurou em Salgueiro/PE, na divisa com o Ceará, a transposição do rio São Francisco, o maior empreendimento hídrico do Brasil. Os governadores do Ceará, Camilo Santana e o de Pernambuco, Paulo Câmara, não participaram do evento sob o pretexto do Covid-19. O trecho inaugurado faz parte do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. Com isso, a água, que já abastece o Reservatório Milagres em Pernambuco, passará pelo Túnel Milagres na fronteira dos dois estados, começará a abastecer o Reservatório Jati no Ceará, e seguirá, por fim, até os estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.

5) Ora, a revista Veja publicou que a comemoração pela transposição do Rio São Francisco foi um tiro no pé de Lula, que reivindica a 'paternidade' da obra, cujo projeto e execução tem gerado acirradas disputas políticas e judiciais. Iniciadas em 2007 no governo Lula, o Exército Brasileiro foi o único participante das obras que terminou o trecho do Eixo Leste em 2013. Alguns meios de comunicação, a grande mídia, preferiu criticar o uso da máscara pelo presidente ao invés de valorizar a importância da transposição das águas, que vai beneficiar a população e a agricultura dos estados naquela região do nordeste. Ora, a Transposição do rio São Francisco já havia sido inaugurada antes por Lula, Dilma e Temer... mas a inauguração por Bolsonaro provocou a ira da militância da esquerda nas redes sociais, que defende que o pai da criança é Lula, enquanto a direita afirma que pai é quem cria e não quem a coloca no mundo. De certa forma, os comentários são de que, politicamente, todos querem ser o pai biológico da criança que, dizem os apoiadores, conseguiu ficar de pé e andar com Bolsonaro dando a mão...

6) O evento virtual Frente Ampla! Ato em Defesa da Democracia, da Vida e da Proteção Social!, convocado pelo movimento Direitos Já contra Bolsonaro, reuniu ontem, sábado 26/06, os "presidenciáveis" Huck, Marina, Ciro, Haddad, Boulos, Alckmin, e também o ex-presidente FHC, governadores e ex-governadores do PT e PSDB, presidentes de 16 partidos da esquerda à direita, e cerca de 100 políticos e coordenadores de grupos diversos. Os principais nomes do PT não participaram, entre eles Lula e Dilma, mesmo sendo convidados. Segundo a Folha de São Paulo, o movimento quer se equiparar ao das Diretas Já, que reagiu de imediato e com divergências, incluindo o repúdio de líderes da esquerda, à sugestão do deputado José Netto, do Podemos, em convidar o ex-juiz Moro, que não participou.

Como vai ser o noticiário na próxima semana? Assunto não deve faltar... principalmente com o novo ministro da Educação, alvo na alça de mira da oposição e  grande imprensa.