Do mato do PT já não sai coelho, sai Zeca Dirceu

Então... a audiência pública na CCJ, Comissão de Cidadania e Justiça, para questionamentos e explicações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o Projeto da Reforma da Previdência na Câmara de Deputados do Congresso Nacional, transmitida ao vivo em cadeia nacional, resultou no que se imaginava: PT, PSOL & Cia tentando predominar e tumultuar a audiência durante toda a sessão. Não se viu respeito parlamentar ao ministro, mas contribuiu para que o destaque fosse o ministro, reagindo e mostrando preparo, lucidez, inteligência, coerência e coragem enfrentando as esquerdas provocativas, arrogantes e mal-educadas. O ministro não se intimidou diante dos parlamentares "indóceis", sobreviventes políticos que parecem não ter aprendido nada com o desastre eleitoral em 2018. Josias e Souza, jornalista e blogueiro político, comentou sobre a "complicada" sessão pública de ontem, 03/04, e que transcrevemos na integra:

Por Josias de Souza

Fonte: https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/04/04/do-mato-do-pt-ja-nao-sai-coelho-sai-zeca-dirceu/

O desempenho do PT na audiência pública com Paulo Guedes, na Comissão de Justiça da Câmara, mostrou que o partido passa por uma crise etária. A crise da adolescência. Estalando de pureza moral, o petismo fez oposição como se o relógio tivesse recuado à década de 1990. Descobriu-se que os 13 anos de poder deram cabelos brancos ao PT, mas não ensinaram a legenda a usar o senso de ridículo.

Uma característica fundamental da dificuldade de julgamento das pessoas que assistiram ao espetáculo foi ter que ouvir os deputados interrogando o ministro durante quase sete horas para chegar à conclusão de que eles não tinham nada a dizer. Antes que a sessão terminasse em baixaria, 24 parlamentares tiveram a oportunidade de dirigir questionamentos a Guedes - 17 eram da oposição.

Repetindo: 70,8% das questões foram formuladas pela oposição. No geral, serviram para três coisas: 1) Mostrar que o PT não só acredita em vida depois da morte como exerce na plenitude o direito de construir o seu próprio caminho rumo ao inferno; 2) Revelar que outras legendas de oposição, como o PSB, se descolam do petismo; e 3) Realçar o talento de Paulo Guedes para lidar com o contraditório.

A milícia do centrão e seus agregados não deram as caras. Recusaram-se a suar o paletó em defesa de Guedes antes de ouvir de Jair Bolsonaro, em audiências marcadas para esta quinta-feira, o que o governo tem a oferecer em troca do apoio à reforma da Previdência. Assim, exceto pelos aplausos de alguns gatos pingados do governismo, o ministro só ouviu a voz da oposição.

Conforme já noticiado, Guedes combateu os petistas com munição fornecida pelo próprio PT. Esfregou na cara dos adversários os erros e as omissões dos governos de Lula e Dilma. No mais, toureou os oposicionistas que fizeram algum nexo -como Tadeu Alencar (PE) e Alessandro Molon (RJ). Representantes do PSB, ambos questionaram a reforma proposta por Guedes sem deixar de reconhecer que a Previdência precisa de ajustes. Quanto ao PT, sem nenhuma ideia alternativa, o partido revelou-se presa fácil para Guedes. Ao expor o enorme passado que a legenda tem pela frente, o ministro foi minando o equilíbrio dos rivais. Até o momento em que, esgotados os truques, Zeca Dirceu (PT-PR), herdeiro do grão-petista José Dirceu, retirou da cartola um insulto:

"Eu estou vendo, ministro, que o senhor é tigrão quando é com os aposentados, com os idosos, com os portadores de necessidades. O senhor é tigrão quando é com os agricultores, os professores. Mas é tchutchuca quando mexe com a turma mais privilegiada do nosso país." E Paulo Guedes, com o microfone desligado: "Tchutchuca é a mãe, é a avó, respeita as pessoas. [...] Isso é ofensa. Eu respeito quem me respeita. Se você não me respeita, não merece meu respeito."

Restou demonstrado o seguinte: do mato do PT já não sai coelho, saem cobras, lagartos e Zeca Dirceu. Quando falam, os petistas dão a impressão de que procuram ideias desesperadamente, como cachorros que esconderam ossos e esqueceram a localização do esconderijo. O PT não aprendeu a lição das urnas de 2018. Empenhados em desqualificar o ministro da Economia e a proposta de reforma previdenciária do governo de Jair Bolsonaro, os petistas esqueceram de qualificar o partido como uma força política habilitada a retornar ao Planalto.