Novo ministro do MEC: nem “olavete”, nem militar, mas militante de direita

Finalmente Bolsonaro mudou o ministro da Educação depois que Veléz cometeu as trapalhadas que vinha constrangendo o governo federal. Escolheu um substituto com capacidade de gestão reconhecida no meio empresarial, e distante dos pontos de disputas e pressões no ministério, na expectativa de ter acertado desta vez. Vejamos:

Abordagem de Helena Chagas

Fonte: https://osdivergentes.com.br/helena-chagas/weintraub-nem-olavete-nem-militar-mas-militante-de-direita/

Jair Bolsonaro ataca as pesquisas de opinião, e o Planalto finge que não liga para elas, mas a substituição de Vélez Rodriguez pelo economista Abraham Weintraub no MEC é a sinalização de que governo pode ter resolvido dar o freio de arrumação que era cobrado interna e externamente. O primeiro dado a se considerar: Weintraub não é "olavete", não é militar, não é do DEM nem do PSDB (embora tenha afinidades) e nem evangélico (é judeu). Não possui maiores experiências na área educacional, mas é reconhecido como gestor. É, sobretudo, um militante de direita.

Ao indicá-lo, Bolsonaro não deixa de fazer um gesto em relação ao ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que o escolhera para secretário executivo de sua pasta. Lorenzoni podia até preferir um nome político, como o DEM e parte do PSDB, que esticaram os olhos para o MEC.

Essas expectativas não atendidas, aliás, falam muito sobre o limites do presidente da República na negociação da Previdência com o Congresso, e mostram que o presidente não vai ceder e que continuará com poder de fogo reduzido para manter o texto de Paulo Guedes enviado ao Congresso. Quem sabe se isso não seria exatamente o que ele quer...

Os militares não vão também ficar insatisfeitos. Abraham Weintraub não é uma indicação de Olavo de Carvalho e poderá ajudar a "desolavizar" o MEC. Mas vai seguir a linha desejada pelo Planalto. Ele já defendeu o combate ao "marxismo cultural nas universidades" e, obviamente, o tempero ideológico pesou em sua escolha.

Agora só falta esperar a reação de Olavo.


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