O candidato antipolítico

20/09/2020

A campanha antipolítica parece um contrassenso, mas não é. Muitos candidatos fazem da sua campanha uma condenação "à política e aos políticos". Cortejam um sentimento de avaliação negativa da política e dos políticos, muito vivo no eleitorado. O eleitor médio tende a ter muitas reservas com a política. São os escândalos que volta e meia aparecem, denúncias de corrupção contra governantes e parlamentares, é a percepção de que se trabalha pouco na política e se fala muito. Estes sentimentos e avaliações, feitas pelo eleitor, constituem o "caldo de cultura" para o aparecimento de candidaturas antipolíticas.

  • Identificar-se com o sentimento do eleitor, captando desta forma a sua boa vontade e simpatia. 
  • Apresentar-se como o oposto daquilo que o eleitor condena, qualificando-se assim para receber o seu apoio.

Muitas vezes esta estratégia é coroada de sucesso, no curto prazo da eleição, mas dificilmente o candidato eleito nesta plataforma conseguirá manter a imagem com a qual se elegeu. Se a mantiver, persistindo, durante o mandato, na condenação da atividade que pratica e dos órgãos que integra, será muito pouco produtivo, porque não contará com o apoio dos colegas. Não obstante esta realidade, a fórmula é atraente. Vai ao encontro de sentimentos fortes dos eleitores, proporciona uma linha de campanha fácil de ser sustentada, e, como a opinião pública, em larga medida, coincide com este sentimento, não encontrará adversários que se animem a contestá-lo.

Sua campanha se assemelha a uma pregação, não tem maiores compromissos com realizações concretas, e a condição confere-lhe uma certa superioridade sobre os adversários, "políticos como todos os outros". O candidato que com maior frequência adota a campanha antipolítica é o "estranho", isto é, aquele que ainda não cumpriu mandato, e que está tentando naquela eleição conquistá-lo pela primeira vez. Sua candidatura é apresentada como uma mudança, como a eleição de alguém "diferente" dos outros, independente, honesto e trabalhador. O fato de não ter passado político agrega credibilidade à sua pretensão.

Há, entretanto, candidatos que adotam esta campanha para a sua reeleição. São casos mais raros, mas existem.