O governador João Doria (PSDB) pipocou no pronunciamento de ontem?

O jornalista Josias de Souza publicou ontem pela manhã, em sua coluna no UOL, que, enquanto "Jair Bolsonaro intensifica a pregação em favor da "volta à normalidade", o governo de São Paulo prepara uma campanha publicitária em defesa do isolamento social. [...] A ideia é causar um impacto capaz de elevar a taxa de adesão ao isolamento para patamares entre 60% e 70% da população do Estado. Nas palavras de um dos idealizadores da campanha, pretende-se conscientizar as pessoas por meio do "choque"

Josias de Souza continua: "Deseja-se "chamar a atenção para o fato de que a morte está batendo à porta." Avalia-se que "é melhor sofrer o impacto da imagem dos mortos que o vírus produziu em outros países do que assistir à repetição das mesmas cenas aqui." A campanha é parte do esforço do governo paulista para evitar que o isolamento tenha que evoluir para a quarentena (lockdown, em língua inglesa). Nesse estágio, admite-se a cobrança de multas e o uso de força policial para impor as restrições à movimentação das pessoas. [...] Doria diz que não hesitará em adotá-la se for necessário. Alega que quis dar um "choque térmico" na população ao mencionar a hipótese de lançar mão de medidas como multas e prisões."

Já o site O Antagonista publicou, no fim da tarde de ontem, que "Doria (PSDB) pipocou porque tem convicções, ao dizer no pronunciamento de ontem que não vai endurecer as medidas contra a aglomeração de pessoas em São Paulo, já que o índice de isolamento social teria aumentado no estado, indo de 47%, na semana passada, para 59%, no último domingo, e agradeceu aos paulistas por atender "àquela convocação que fizemos na quinta-feira da semana passada, para que nós pudéssemos aumentar esse índice [de isolamento] sem tomar atitudes mais duras - como não temos de adotar, porque a resposta foi positiva. Esse foi o meu compromisso e eu o estou cumprindo. Estamos confiantes de que a população continuará fazendo essa opção pelo isolamento social. Nossa meta é manter esse percentual na base de 60% e, gradualmente, ampliá-lo para chegar a um nível que nos permita o controle sobre sistema de saúde público e privado."

O Antagonista também registrou que, na semana passada, ele havia falado em prender quem se aglomerasse nas ruas de São Paulo, uma mudança e tanto, convenhamos. Para dizer mais claramente, Doria pipocou hoje. Salta aos olhos que São Paulo ainda continua com gente demais nas ruas, mas confinar a população e impor punições a quem infringisse a decisão seria sair para a briga em Brasília, como demonstrou a nota do advogado-geral da União no sábado, sem respaldo popular e também empresarial - as pressões pelo fim da quarentena são grandes. Tivesse prosseguido no caminho das medidas mais duras, Doria arriscaria perder boa parte do cacife político acumulado desde o início da epidemia e fortalecer, assim, Jair Bolsonaro, transformado em defensor das liberdades democráticas contra o autoritário governador paulista." O Antagonista finaliza: "Doria (PSDB) pipocou porque tem convicções."  

Bom, por mais que o isolamento seja defendido como necessário pelo governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), há controvérsias quanto à campanha publicitária que, segundo especulações nos bastidores e opinião pública, supostamente poderá conter todos os ingredientes de um contexto comunista/socialista onde a população fica sob o controle do estado, mesmo que o governador diga que é para o bem da população. Nesse caso, a população teria que ser convencida de que a medida do isolamento é o melhor para todos... ou então teria que ser imposta à "força". Na opção "à força", os paulistas aceitariam tranquilamente?