O perigo do candidato cair no ridículo

24/08/2020

Na política poucos erros tem consequências tão arrasadoras quanto virar alvo de piadas. E poucas armas são tão poderosas quanto expor seu adversário ao ridículo público. Tornar-se objeto de zombarias e piadas é algo que o eleitor não esquece e não perdoa: é uma marca que "gruda" na imagem do candidato. Mesmo que ele tente se apresentar com seriedade, logo surge a lembrança do episódio que o ridicularizou. O eleitor convive bem com o candidato/político brincalhão, alegre, recatado, sisudo, mal- humorado e até mesmo o esquisito. Mas não aceita o político que caiu no ridículo.

Há duas causas principais para um candidato cair no ridículo numa campanha eleitoral:

- primeiro por obra dele mesmo e

- por obra de seus adversários ou da mídia.

As duas são igualmente graves. A segunda faz parte do jogo e deve estar sempre estar preparado para ela, mas a primeira, cair por obra própria, é fatal. O candidato que, por sua própria ação, expõe-se ao ridículo, seja por seu comportamento, declarações ou publicidade, oferece aos adversários e eleitores uma demonstração definitiva de sua desqualificação. Ele é logo percebido como inexperiente, pouco inteligente e ingênuo: "Se for tão desastrado, a ponto de cometer um erro como este durante a campanha, imagine-se o que fará se estiver no poder..."

O problema é que ninguém assume uma posição ridícula por que assim deseja. Por isso se diz "cair" no ridículo. Cai-se no ridículo sem perceber e sem pretender e, quando se descobre, já é muito tarde e os adversários não vão perdoar. Há candidatos que conduzem sua campanha no estreito limite entre a esquisitice, o espalhafato e o ridículo. Existem razões para o candidato situar-se nessa posição perigosa. Antes de tudo, um candidato procura chamar a atenção sobre si, e, nada melhor para destacar-se do que a adoção de um comportamento ou estilo único, diferente dos demais. Sem dúvida, ele vai conseguir atrair a atenção, mas sempre no limite de tornar-se ridículo ou pouco sério. 

Em geral, candidatos "populistas" seguem esse caminho. Alguns atingem tal maestria neste estilo que chegam a conseguir expressivo sucesso. Fernando Collor foi um exemplo de candidato que obteve sucesso percorrendo esse perigoso trajeto. Como regra, entretanto, é sempre aconselhável evitar estes riscos. Vigora aqui o principio geral do circo de que "qualquer descuido é fatal ao artista".

Abordagem de Francisco Ferraz

Publicado em: www.politicaparapoliticos.com.br