O Presidente Bolsonaro mandou recado ao STF?

16/06/2020

Na entrevista do presidente para a BandNews, ontem 15/06, destacamos  aqui alguns pontos da fala de Bolsonaro:

Jair Bolsonaro voltou a se queixar da decisão do STF que impediu a posse de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, ao dizer que isso representou "mais uma brutal interferência do STF no Executivo, não podemos concordar com isso". Disse também estar "sendo consciente e complacente demais. Não quero dar soco na mesa e afrontar ninguém, mas peço que não afronte o Poder Executivo, e que "Não queremos medir força com ninguém. Nós queremos administrar e conduzir o Brasil a um porto seguro. Afinal de contas, têm muitas incertezas no ar".

Bolsonaro também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF que apura notícias falsas e ofensas contra os ministros, ao pedir que fossem investigados apoiadores do presidente e parlamentares pró-governo. Ele disse na entrevista: "É um inquérito que serve para o interesse apenas dele [Alexandre de Moraes]. Ele é vítima, ele interroga, ele julga e ele condena. Isso não é justo, no meu entender, porque está à margem da legislação brasileira. Isso é um foco de atrito. Até busca e apreensão foram realizadas na casa de 29 simpatizantes meus, nenhum da oposição. Isso não soa muito bem no Estado democrático de direito. Isso, obviamente, é um foco de atrito que o Supremo tem que superar."

O presidente também se queixou do ministro Celso de Mello, relator do inquérito que investiga se o comandante do Planalto interferiu politicamente na Polícia Federal, e que o decano do STF não deveria ter divulgado a íntegra do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril: "É inadmissível se externar, publicizar uma reunião de ministros quando se tratava de assuntos específicos. E eu disse nos autos que poderia explicitar o que eu falei, e não os outros. Lamentavelmente, o ministro Celso de Mello entendeu errado, e uma pequena crise está instalada no Brasil, que espero que seja mais rapidamente resolvida", afirmou Bolsonaro, se referindo a fala polêmica do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao dizer na reunião que "botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF".

Jair Bolsonaro garantiu que "não existe intervenção militar" no Brasil, e questionou: "Como darei um golpe se sou presidente da República e chefe supremo das Forças Armadas? Nós, os militares, jamais cumpriríamos ordens absurdas, mas também jamais aceitaríamos um julgamento político para destituir um presidente democraticamente eleito. Nós, militares das Forças Armadas, que eu também sou, somos os verdadeiros responsáveis pela democracia neste país". Para Bolsonaro, a interpretação do "artigo nº 142, da Constituição Federal, não precisava que o ministro Luiz Fux, monocraticamente, atendesse ao pedido do PDT, um partido que tem ligação com o Partido Comunista Chinês, para dizer qual é o papel das Forças Armadas".

Durante a entrevista, o presidente aparentou seriedade e transmitiu a impressão de estar avesso ao cenário político em seu entorno, e fora dele, e que não descarta sua reeleição. Segundo bastidores diversos, alguns trechos da entrevista podem ser entendidos como um recado direto ao STF. 

Depois de conversa sobre a manifestação de domingo, 14/06, segundo o jornal da TV Record, Bolsonaro decidiu manter Abraham Weintraub como ministro da Educação, cargo cobiçado por aliados e oposição do governo que torcem pela saída do ministro. Até discutem quem será seu sucessor, com apoio e pressão da grande imprensa. Aliás, Weintraub foi multado em R$ 2.000,00 pelo governo do Distrito Federal por não usar máscara ao ir na manifestação.