O próximo passo do governo de São Paulo é quarentena total no Estado?

Então, diz o Estadão... "os índices de isolamento estão muito abaixo dos esperados pelo governo paulista: com menos de 55%, é difícil levar adiante qualquer conversa séria a respeito de reabertura gradual da economia". Ora, o site O Antagonista diz que o Estadão tem razão, e que 'SP está mais perto de apertar a quarentena do que de abrir a economia'.... ou seja, isso certamente pode acontecer com os meios de transportes coletivos congestionados (trem, metrô e ônibus), promovido pelo rodizio de veículos nas ruas e avenidas da capital de SP. 


Especula-se também nos bastidores e opinião pública que, com essa decisão de rodizio ampliado, logo será preenchido as 13.000 covas abertas pelo prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), que inclusive encomendou 68.000 caixões funerários para as vítimas do Covid-19. Será?  Por enquanto, até ontem, 13/05, foram confirmados 2.494 óbitos por coronavírus na capital SP, 60,5% de um total de 4118 em todo o Estado, segundo a secretaria estadual da Saúde. 

Enquanto isso, 7 deputados estaduais de SP entraram com uma ação na Justiça para suspender o rodízio para placas de veículos par/impar, que começou nesta semana na capital. Para os parlamentares, o decreto do rodízio de veículos é "contraditório e ineficaz", porque não evita o aumento do isolamento social, como se esperava, pelo contrário, provoca superlotação no transporte coletivo e, consequentemente, uma maior propagação do novo coronavírus. 

Segundo os deputados paulistas, "no que concerne à adequação e finalidade, a medida de restrição de veículos não atende a seu objetivo, porque não constitui meio eficaz para aumentar o nível de isolamento social, dado que não obsta a que as pessoas movimentem-se pelas ruas, senão que apenas veda que elas se utilizem de seu carro próprio, sem impedir, portanto, que as pessoas possam se utilizar de veículos de transporte remunerado, como táxis e de aplicativos, o que significa dizer que em nada contribui para aumentar o grau do isolamento social." A ação é assinada pelos deputados: Sargento Neri, Coronel Telhada, Márcio Nakashima, Letícia Aguiar, Coronel Nishikawa, Adriana Borgo e Ed Thomas. 

Ora, o rodízio de veículos anunciado pela Prefeitura de São Paulo, após o vexame dos bloqueios nas vias públicas, podem estar apontando duas constatações óbvias:

1º) a inacreditável capacidade da gestão municipal de SP em decretar medidas ilógicas,

2º) a ilusão de que é possível enfrentar o coronavírus com medidas de restrição de veículos nas ruas e avenidas.

Bom, o combate à Covid-19 é prioridade onde, claro, "momentos extremos exigem medidas extremas" diz Bruno Covas, desde que tenha alguma lógica. Ora, com a notável ineficácia das medidas restritivas no rodizio para veículos na cidade, especula-se se o prefeito de São Paulo parece estar em dificuldade para justificar as 13.000 covas abertas nos cemitérios da cidade, e com isso contribuindo para o aumento da aglomeração de pessoas nos transportes coletivos e, assim, supostamente, promover mais óbitos, o que explicaria, inclusive, a prorrogação da quarentena no estado de São Paulo até 31/05.

Quanto à situação do Covid-19 no Brasil, o vice-presidente Hamilton Mourão escreveu em um artigo para o Estadão: "Para esse mal nenhum país do mundo tem solução imediata, cada qual procura enfrentá-lo de acordo com a sua realidade. Mas nenhum vem causando tanto mal a si mesmo como o Brasil. Um estrago institucional que já vinha ocorrendo, mas agora atingiu as raias da insensatez, está levando o País ao caos (...). Enquanto os países mais importantes do mundo se organizam para enfrentar a pandemia em todas as frentes, de saúde, produção e consumo, aqui, no Brasil, continuamos entregues a estatísticas seletivas, discórdia, corrupção e oportunismo."