O PT foi prático para chegar no Poder, mas se recusa dar as mãos na hora de defender o país – Parte 1

Então... o site Intercept Brasil, o site da VazaJato, publicou interessante abordagem de João Filho, que comenta o momento atual do PT, que transcrevemos em 2 partes, na integra.

Parte 1:

"As eleições 2022 já começaram. Ainda é cedo, mas os ataques mútuos entre Doria e Bolsonaro marcam o início da disputa para atrair o eleitorado identificado com a direita. Enquanto isso, a esquerda segue dividida, desarticulada e paralisada diante da violência do bolsonarismo no poder. Na última segunda-feira, 09/09, foi lançado na PUC, em São Paulo, um manifesto que busca reorganizar a oposição. Batizado de "Direitos Já! - Fórum pela Democracia", o movimento é uma tentativa de formar uma frente ampla em defesa da democracia contra os ataques do governo Bolsonaro. O nome do movimento é uma referência às Diretas Já, criado no início dos anos 1980, quando o campo democrático, ainda sob a ditadura, se uniu para reivindicar eleições presidenciais diretas.

Representantes de 16 partidos e integrantes de diversos segmentos sociais estiveram presentes na PUC. Nomes importantes como Flávio Dino, do PCdoB, o pedetista Ciro Gomes, Márcio França, do PSB, Marta Suplicy, hoje sem partido, deixaram as rusgas de lado em nome da defesa da democracia. Nomes como Kassab (PSD) e os tucanos FHC, Alckmin e Anastasia mandaram mensagens de apoio. É...eu sei, mas uma frente ampla contra a barbárie não pode ser encarada como um clubinho de amigos, mas como um movimento heterogêneo, que reúne amplo espectro da sociedade em torno da defesa de valores democráticos. Engolir alguns nomes de centro-direita me parece um preço razoável a se pagar pela defesa da civilização. O avanço da extrema direita não é uma exclusividade brasileira. A formação de frentes amplas desse tipo tem sido a saída que os democratas de vários países encontraram para combater governos autoritários. Não se trata mais de esquerda x direita, mas de civilização x barbárie.

A missão do movimento é complicada. Há muitos traumas decorrentes do impeachment, e juntar opositores tradicionais não é fácil. Mas me parece evidente que a ampliação do arco em apoio à defesa dos valores democráticos é o único caminho possível para o enfrentamento à escalada do autoritarismo. Infelizmente nem todos no campo progressista pensam assim. Petistas também participaram do evento, alguns até ajudaram na organização. Mas nenhum dirigente compareceu, o que indica que o partido não irá entrar de cabeça no movimento. Fernando Haddad, que chegou a participar da gestação do grupo em maio, confirmou presença no evento, mas simplesmente não apareceu. Não mandou um recado para ser lido no evento como fizeram outros ausentes, nem mandou um representante. Assim como Haddad, o psolista Guilherme Boulos também participou das primeiras reuniões, mas decidiu não comparecer. Também não havia nenhuma liderança do PSOL presente.

A assessoria de Haddad informou que ele teve que receber uma pessoa em casa em um compromisso pessoal. Segundo a jornalista do Estadão, Sonia Racy, "fontes petistas admitiram que o partido fez forte pressão para que Haddad não fosse. Motivo: à sigla não interessa dividir o protagonismo na oposição. E ela não abre mão da bandeira 'Lula Livre' na linha de frente do movimento". O partido decidiu não se envolver institucionalmente com o movimento por não poder controlar suas pautas. Nas redes sociais, parte da militância petista colocou em dúvida a informação do Estadão, dizendo que o PT não participou porque o evento foi organizado pelo PSDB. Não é verdade. O principal idealizador do movimento é o sociólogo Fernando Guimarães, um tucano que lidera uma corrente de esquerda dentro do PSDB. A criação do Direitos Já enfureceu a cúpula do PSDB em São Paulo, que pediu a sua expulsão.

O PT segue tendo Lula Livre como a sua principal bandeira, para não dizer a única. É uma pauta justa, legítima e importante. A Vaza Jato trouxe provas definitivas de que o ex-presidente foi acusado por procuradores comprometidos com causas políticas e condenado sem provas por um juiz parcial e igualmente alinhado a causas políticas. A condenação de Lula é fruto de um processo de deterioração das instituições democráticas, que culminou com a eleição de Bolsonaro e se intensificou brutalmente com seu governo. Na minha opinião, a defesa de um ex-presidente que foi vítima de um julgamento político deveria ser uma bandeira fundamental de todos que estão dispostos a defender a democracia, mas não é essa a realidade."

Fonte: https://theintercept.com/2019/09/08/pt-lula-livre-frente-ampla-democracia/

... continua na parte 2...


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