Operação Placebo no Rio, e o recuo de Doria na quarentena em SP

26/05/2020

O governo do estado do Rio de Janeiro está nos holofotes das principais manchetes de hoje, e com algumas cores "quentes" de "suposta" corrupção supostamente envolvendo o governador Wilson Witzel. Portanto, a mais nova sensação dos noticiários é a Polícia Federal executando, desde hoje cedo, a Operação Placebo, que apura indícios de desvios de recursos públicos destinados ao estado de emergência de saúde pública com o Covid-19, com busca e apreensões. As investigações realizadas por autoridades do Rio de Janeiro apontam para a existência de um esquema de corrupção envolvendo a organização social Iabas, Organização Social Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde, contratada para a instalação de hospitais de campanha e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Os Mandados de Busca e Apreensão, expedidos pelo STJ, Superior Tribunal de Justiça, estão sendo cumpridos nos estados de São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ, incluindo a residência oficial do governador, na casa de Witzel no Grajaú, no endereço do ex-secretário de Saúde Edmar Santos e do ex-subsecretário Gabriel Neves. A Operação Placebo investiga gastos de 1 bilhão de reais na construção de hospitais de campanha no Rio, contratos sem licitação para compra de respiradores, máscaras e testes rápidos, mas a maior parte do dinheiro, cerca de 836 milhões de reais, foi destinada à Iabas. Ao todo, são 11 mandados contra endereços residenciais e comerciais no Rio, e 1 em São Paulo. Um dos alvos no Rio é o escritório de advocacia onde trabalha a esposa de Witzel.

Enquanto isso, aqui em São Paulo, segundo o site O Globo, não foi apenas o número de casos do novo coronavírus que registrou uma escalada em São Paulo nos últimos dez dias. O estresse nas relações entre a prefeitura de São Paulo e o governo estadual também aumentou em pleno pico da pandemia. O prefeito, Bruno Covas, e o governador, João Doria, passaram a ter visões diferentes sobre o enfrentamento da crise de saúde. Enquanto Covas defende um endurecimento da quarentena para evitar o colapso dos hospitais e cemitérios, Doria considera iniciar a flexibilização do isolamento social a partir de 1º de junho, previsto como fim da quarenta estendida.

O auge da tensão foi durante o rodízio par/impar de veículos na capital, aumentando a aglomeração de pessoas nos meios de transportes urbanos, que não não durou uma semana, e obrigando Covas a admitir o fracasso da iniciativa, que bateu boca na TV com o secretário estadual de Transportes Metropolitano, Alexandre Baldy, sobre o episódio. Covas culpou a secretaria de não ajustar a frota de trens ao aumento de demanda que o rodízio causou. O secretário acusou o prefeito de tomar a medida unilateralmente sem avisar a pasta. 

Ontem, 25/05, João Doria negou decretar a quarentena total, Lockdown, e sinaliza flexibilização da quarentena em algumas regiões do estado em junho, e que irá anunciar amanhã, 27/05, com o prefeito da capital, Bruno Covas, detalhes sobre as medidas que serão adotadas. Doria disse que:  "Para ser muito preciso, nós teremos uma nova quarentena. Mas será uma quarentena inteligente, porque levará em consideração toda a regionalização de São Paulo, do interior, da capital e da região metropolitana, do litoral. A decisão não será homogênea. Até agora ela foi homogênea em todo o estado porque ela precisava ser. Agora, nós temos a condição de fazê-la heterogênea, seguindo as orientações do comitê de saúde. Áreas e regiões em que possamos nessa quarentena inteligente ter um olhar diferente, nós vamos fazer. Aonde não for possível porque os riscos e índices indicam que não devem, não haverá".