Pesquisa aponta Bolsonaro como favorito em 2022

A revista Veja publicou em seu site, na reportagem de João Pedroso de Campos e André Siqueira, da qual condensamos algumas partes, que o governo Jair Bolsonaro passou por uma tempestade política perfeita nos últimos três meses, e ainda assim segue firme, forte e inabalável como candidato à reeleição em 2020:

"Com a crise da pandemia do novo coronavírus, somada com a conturbada demissão de Sergio Moro, duas trocas no Ministério da Saúde, a abertura de um inquérito para apurar interferência política na Polícia Federal, a divulgação em vídeo de uma reunião de seu gabinete, o cerco a bolsonaristas radicais em duas investigações do STF, a prisão de Fabrício Queiroz, e o diagnóstico positivo de Covid-19, em meio a sérias dificuldades que poderiam conturbar a popularidade de inúmeros políticos, Bolsonaro segue firme, mostrando é um fenômeno político. Se a disputa presidencial fosse hoje, ele seria reeleito. Essa é uma das principais conclusões de um levantamento exclusivo realizado pelo instituto Paraná Pesquisas entre os dias 18 e 21 de julho. 

Mesmo sendo um mandatário controverso à frente de um país dividido em relação ao seu governo, Bolsonaro lidera todos os cenários de primeiro turno com porcentuais que vão de 27,5% a 30,7%, e derrotaria os seis potenciais adversários em um segundo round da corrida ao Planalto em 2022: 

- o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),

- o ex-­prefeito Fernando Haddad (PT),

- o ex-­governador Ciro Gomes (PDT),

- o ex-­ministro Sergio Moro,

- o governador paulista João Doria (PSDB) e

- o apresentador Luciano Huck.

A revista comenta que é um feito impressionante, considerando-se que, segundo a mesma pesquisa, 48,1% dos brasileiros desaprovam a sua gestão (eram 51,7% no fim de abril) e 38% consideram ruim ou péssimo o seu trabalho (eram 39,4%). Comparada a um levantamento anterior da Paraná Pesquisas, de três meses atrás, a aprovação oscilou positivamente de 44% para 47,1%, enquanto o contingente que considera seu mandato ótimo ou bom foi de 31,8% para 34,3%, variação acima da margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. A eleição de 2022 ainda está distante, mas chama atenção a capacidade de resistência do presidente. Os constantes solavancos políticos e as lambanças em série na condução da pandemia não colaram nele a ponto de erodirem a sua mais fiel base de apoio, de cerca de 30% dos eleitores - número que é considerado até por adversários como freio a um processo de impeachment (há dezenas deles nas mãos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia).

Na visão de especialistas, Bolsonaro conseguiu escapar à lógica de que sucumbiria às crises por dois motivos: o auxílio emergencial, que amenizou efeitos econômicos da pandemia em uma população indiferente às confusões de Brasília, e a atitude mais comedida do presidente nos últimos tempos, especialmente após a escalada de tensão com o Supremo. Pela perspectiva atual, fica difícil imaginar uma força que possa rivalizar com o presidente. A desaprovação ao seu governo, no entanto, faz supor que exista espaço para um projeto alternativo, menos radical e mais equilibrado. 

Entre os possíveis nomes de centro-­direita, quem aparece melhor hoje é alguém que estava colado ao presidente até recentemente, o ex-ministro Sergio Moro. Nas disputas de segundo turno, depois do inelegível Lula, Moro é quem mais se aproxima de Bolsonaro (44,7% contra 35%). Nas de primeiro turno, ele termina em segundo lugar, quando o candidato do PT é Fernando Haddad e em terceiro, mas não longe, quando é incluído o nome de Lula. Visto como um ícone na batalha anticorrupção, Moro apresenta potencial de crescimento numa faixa hoje ocupada por Bolsonaro, mas que pode ser conquistada se as revelações do caso Fabrício Queiroz tisnarem de vez a imagem do presidente em relação ao cuidado com o dinheiro público. 

Essa ameaça de Moro já entrou no radar do bolsonarismo nas redes sociais e em manifestações de rua, que o elegeram como novo integrante do hall de "traidores da pátria". O ponto negativo de Moro como alternativa a Bolsonaro é que, em razão de sua atuação como juiz, marcadamente contra Lula e o PT, ele dificilmente vai aglutinar apoios da esquerda. Outro dado dificultador é que ninguém sabe ao certo quais são as posições econômicas defendidas pelo ex-ministro.O ex-governador de Minas, Magalhães Pinto, cunhou uma frase que define à perfeição esse momento da disputa de 2022: "Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou". Tudo pode, é claro, mudar até lá - e mesmo antes disso. 

Existem no horizonte de Bolsonaro ao menos duas questões que podem comprometer o seu projeto de reeleição: o desfecho imprevisível do caso Queiroz e a perspectiva de tormenta econômica no rescaldo da pandemia (está previsto um tombo de quase 6% do PIB), agravada pelo auxílio emergencial, que, em tese, vai até setembro. Mas é inegável que o capitão segue firme no páreo até agora, com uma inabalável resistência e, a rigor, nenhum adversário à altura."

Fonte:  https://veja.abril.com.br/politica/pesquisa-exclusiva-bolsonaro-e-o-favorito-da-corrida-eleitoral-em-2022


Obs.: A matéria acima é de inteira responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Blog Várzea Paulista