Polícia Federal, em ação sob nova direção

27/05/2020

Pois é... especulações e comentários dos bastidores, opinião pública, formadores de opinião e meios de comunicação avaliam que, com a saída do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, a Polícia Federal voltou à ação sob a nova direção, e o Ministério da Justiça parece ter sido oxigenado com novos ares, motivação e sem o vedetismo anterior, incentivando o imaginário e opinião pública a se empolgar com a perspectiva da prisão de corruptos do dinheiro público. 

A opinião pública parece estar festivamente surpreendida e comemorando o retorno da caça aos corruptos, a começar pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel que, segundo alguns meios de comunicação, é apenas um dos que estão sendo investigados. Claro, Witzel "se defende" das acusações" atacando. Adivinhe quem, para tentar desviar a atenção da corrupção do Rio? Isso mesmo, Bolsonaro. Witzel alega perseguição política, da mesma forma que alegaram os ex-governadores do Rio, Sergio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, todos sendo presos.

Aqui em São Paulo, para o governador, João Doria, PSDB, a operação da Polícia Federal contra seu colega Wilson Witzel sugere uma escalada autoritária por parte do governo de Jair Bolsonaro. Ele afirmou: "Independentemente da análise, e toda investigação necessária deve ser feita onde há suspeita, a operação que foi anunciada antecipadamente por uma deputada aliada, e comemorada pelo presidente, insinua a escalada autoritária e isso é preocupante". Disse também: "A utilização da PF para intimidar adversários, seja na política ou fora dela, deve ser condenada pela sociedade". Não se sabe se essas palavras denotam preocupação do governador com a Polícia Federal chegando em São Paulo com mandados de buscas e apreensão. O site Critica Nacional diz que Doria está vestindo uma carapuça...

Nesta nova fase de caça aos corruptos, que renasce com entusiasmo nas ações da Polícia Federal, o ex-ministro Moro parece ter perdido a importância que tinha no pedestal em que se colocou, o que pode ensejar entender que vedetismo inibe ações anticorrupção que possa envolver personalidades do cenário político, talvez incluindo interesses partidários e até mesmo pessoais. Claro, trata-se de mera suposição, mas não deixa de ser um contexto para reflexão com tudo o que está acontecendo em plena pandemia do Covid-19, onde o povo continua sendo apenas um detalhe. Principalmente com desdobramentos na política e na politicagem de sempre.

Ainda no ambiente político, partidário, ideológico e "jornalistico", o judiciário, destacadamente o STF, continua atuando como protagonista neste contexto, gerando dúvidas e polêmicas nas decisões, algumas entendidas como interferência no poder executivo, outras supostamente a favor de interesses partidários e/ou políticos, e também, aparentemente, para defender ministros do STF de ataques e acusações de diferentes direções.

Enquanto isso, muitos políticos se mostram preocupados com um cenário à la Estado Novo (1937 a 1945), comparando a polícia política do ditador Getúlio Vargas com os desígnios de Bolsonaro para a PF, sob nova direção após a demissão de Sergio Moro do governo federal. A ação da PF no Rio acendeu o sinal amarelo em diversos governos, em especial aqueles com grande movimentação de recursos para combater o coronavírus. Como disse um governador do Nordeste: "não é possível ter controle absoluto contra eventuais desvios na ponta."