Portas de Entrada na Carreira Política

20/01/2020

Por Gustavo Müller

Para quem pretende ingressar na carreira política, estar atento às portas de entradas é uma tarefa imediata.

A entrada na carreira política pode ocorrer por meio de muitas portas que, tal como um edifício, estão distribuídas em vários andares da estrutura do sistema político. Em alguns casos pode-se tomar um elevador e ingressar direto pelas portas do segundo ou terceiro andar, mas, na maioria dos casos, o aconselhável é que se ingresse pelas portas dos primeiros andares.

As portas do primeiro andar: eleições municipais

O município pode ser considerado o primeiro andar da carreira política. A História da política mostra que as primeiras noções de democracia e cidadania começaram a surgir nas Cidades-Estados da antiga Grécia. As Cidades-Estados eram pequenos núcleos territoriais onde os cidadãos se reuniam para debater a administração dos negócios públicos.

De fato, o município é o local onde o poder político é exercido com maior proximidade em relação aos eleitores, ou seja, pela área geográfica que cobre o município, o contato entre quem exerce um cargo eletivo e seus eleitores é facilitado.

Nesse andar as portas de entrada na carreira política são:

  • Câmara de Vereadores
  • Secretaria de Governo
  • Prefeitura

A Câmara de Vereadores pode ser vista como a primeira porta de entrada para quem quer seguir a carreira política.

Uma campanha para vereador é uma oportunidade para que se comece a acumular experiência. O candidato a vereador pode, e deve, começar com bastante antecedência a conversar com os potenciais eleitores sobre os problemas da cidade. A partir dessas conversas o futuro candidato a vereador precisa treinar sua capacidade de convencer as pessoas (eleitores) de que tem uma proposta de atuação no legislativo municipal que pode trazer benefícios para um segmento social, ou para o conjunto da população.

A Secretaria de Governo (da Prefeitura) é outra porta de entrada para carreira política.

Nesse caso, não há necessariamente o imperativo eleitoral, ou seja, para ser secretário de governo em uma prefeitura não é preciso ser eleito vereador, basta ser convidado pelo prefeito para ocupar o cargo. Todavia, o secretário de governo conta com um aparato que, utilizado dentro das normas éticas e legais, pode servir para projetar aqueles que pretendem futuramente concorrer a um cargo eletivo. O secretário de governo é responsável pela administração de uma determinada área de política pública como saúde, educação ou obras. Esse espaço lhe confere uma posição privilegiada para dialogar com vários segmentos sociais. Desse diálogo e de suas realizações podem surgir uma plataforma para o próximo pleito eleitoral.

Por fim, a Prefeitura é uma porta de entrada mais complexa, ainda que situada no primeiro andar. O candidato a prefeito, ou seja, aquele que decide entrar na política através dessa porta, precisa estar apto a formular uma proposta que sirva para o conjunto da população de seu município. Isso porque, ao contrário do candidato a vereador, o candidato a prefeito necessitará dos votos de uma ampla parcela dos eleitores.

Para tanto, tal como um futuro candidato a vereador, o postulante ao cargo de prefeito precisa ter a capacidade de convencer os eleitores de que conhece sua cidade e que tem uma proposta para administrar o município de forma a melhorar a qualidade de vida para todos os cidadãos.

As portas de entrada do segundo e do terceiro andar

De certa maneira, as portas de entradas na carreira política do segundo e terceiro andar do edifício do sistema político reproduzem as possibilidades descritas anteriormente, elas no entanto elevam os custos de entrada e a complexidade dos problemas a serem tratados. O segundo andar pode ser visto como o âmbito estadual. Nesse andar as portas oferecidas são a Assembleia Legislativa, as Secretarias de Governo e o próprio Governo, esse último com um custo de entrada mais elevado pois exige que se conquiste parcela significativa dos votos dos eleitores.