PT quer tirar Gleisi Hoffmann do comando do partido

No site Os Divergentes, Iva Velloso escreve que a Executiva Nacional do PT vai se reunir em Brasília, no próximo final de semana, para discutir sobre a eleição para a presidência do partido, programada para junho. Uma das propostas durante o encontro é a mudança do poder partidário do Sul para o Nordeste.

Faz sentido, já que o Nordeste é o último reduto do PT no país. No entanto, a proposta tem outra intenção: tirar a deputada Gleisi Hoffmann do comando do partido. Apesar das inúmeras críticas, a atual presidente do PT não demonstra o menor interesse em deixar a presidência.

Entre os petistas há quase um consenso de que a deputada não pode continuar no comando do partido. "Ela não ouve ninguém. Ela está levando o partido ao isolamento total", diz um parlamentar petista.

A questão é que Gleisi conta com o apoio do ex-presidente Lula. Embora não haja perspectiva de o ex-presidente deixar a prisão tão cedo, já que sofreu uma segunda condenação, Lula ainda detém o maior capital político dentro do PT e, por isso, ninguém tem coragem de desagrada-lo abertamente.

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad até que tentou. Em uma das visitas ao ex-presidente em Curitiba, Haddad pediu apoio para presidir o partido, mas levou um não como resposta. A partir daí o ex-prefeito desanimou. Alguns partidários tentaram estimula-lo a entrar na disputa, mas ele revelou a interlocutores que está cansado de ser boicotado dentro do partido.

A gota d'água foi o fiasco da caravana programada pelo partido que teve início dia 15 de fevereiro no Piauí e seguiria por vários meses até chegar a Bahia. Haddad seria a principal estrela da caravana, mas o resultado não foi o esperado e o partido optou por abortar o projeto logo após a primeira viagem.

Os governadores do PT já se manifestaram a favor de que o eixo de poder mude para a região Nordeste, onde atuam, e até sugeriram os nomes do deputado José Guimarães (CE) e do senador Humberto Costa (PE) para presidir o partido. No entanto, o sonho dos petistas é que o baiano Jaques Wagner, amigo de Lula e bastante articulado no meio político, aceite o desafio. O problema é que Wagner não vai entrar na disputa sem o apoio formal de Lula. Resta saber se o ex-presidente conseguirá se sensibilizar com a agonia do partido.