Quando você descobre que você é a mercadoria na internet!

23/09/2020

Transcrevemos abaixo um extrato condensado da publicação do colunista Antônio Carlos Queiroz no site Os Divergentes, onde ele comenta sobre o que as redes sociais fazem com os usuários:

"Se quase tudo nas redes parece gratuito, você está enganado. Alguém paga. Os anunciantes pagam para que você viva pendurado o dia todo no Facebook, no Twitter, no WhatsApp. Você é a caça, o produto do negócio. Cada clique que você dá ou cada "escolha" que você faz de um texto ou de um vídeo, induzido pelos algoritmos das redes, é contabilizado a favor dos anunciantes. Grite socorro! porque você virou a mercadoria desse mercado.

O funcionamento das redes é baseado nos famosos algoritmos, sequências de instruções que rodam os programas de computador. Os algoritmos vão se tornando cada vez mais sofisticados e mais "inteligentes", com base nos dados que as redes recolhem a toda hora sobre você: hábitos, gostos, desejos, preferências, orientações, relações de parentes e amigos etc. etc. Acredite, as redes conhecem você mais do que a sua cara-metade e, até parece mentira, mais do que você mesmo! É por isso que elas manipulam você a toda hora. Para as redes sociais a verdade não existe, é relativa.

Se você se informa pelo Facebook, as notícias sobre o aquecimento global que você recebe dependem do local onde você está. Se mora num bairro em que a população é mais de direita, você receberá notícias que questionam a realidade do aquecimento global. Se a sua quadra tem mais gente de esquerda, provavelmente receberá notícias com a Greta Thunberg. Como você tende a repassar as informações recebidas, gerando mais e mais cliques, os anunciantes lucram cada vez mais com isso. E é exatamente por essa razão que as redes induzem a polarização ideológica e política da sociedade. Elas dividem a sociedade em duas metades para reinar melhor.

Na verdade, a coisa é um pouco mais complexa. As redes trabalham para criar, agora de maneira acelerada, exponencial, o que o sistema capitalista já fazia desde sempre: a criação de novos desejos como se fossem novas necessidades. As redes manipulam os seus desejos, transformando você no produto a ser vendido aos anunciantes. A ridícula ideia do livre arbítrio é, na era da redes, ainda mais ridícula!

A polarização induzida pelas redes sociais, caça-níqueis de âmbito global, confirma o que a professora Shoshana Zuboff, da Harvard Business School, chama de "capitalismo de vigilância". Ela definiu as três leis que amarram o sistema:

1) tudo o que pode ser automatizado será automatizado;

2) tudo o que possa ser informatizado será informatizado;

3) todos os aplicativos digitais que podem ser usados para vigilância e controle serão usados para vigilância e controle. Nesse sistema, o indivíduo está sendo reduzido a um mero fornecedor de dados para os grandes conglomerados digitais.

Estamos nos tornando obedientes às ordens configuradas pelos algoritmos. É fácil perceber as consequências dessa polarização no funcionamento dos sistemas democráticos e até mesmo nas unidades nacionais. O "dilema" tem a ver com o fato de que a era da Internet revolucionou as comunicações, propiciando ganhos antes inimagináveis. Você pode falar com qualquer pessoa do outro lado do planeta (se acreditar que a Terra é redonda, é claro). Se estiver com fome e sem paciência para cozinhar, você recebe o prato de sua escolha em menos de uma hora, bastando fazer o pedido pelo iFood, por exemplo. 

Você tem acesso a milhões de livros, filmes e músicas online. Sendo da época da Barsa ou da Mirador, agora você faz consultas instantâneas sobre qualquer assunto. Você pode visitar as galerias de museus dos grandes centros. Pode ler os jornais de qualquer capital do mundo, mesmo sem saber o idioma local, bastando acionar um programa de tradução. E por aí vai. Mas, porém, contudo, todavia, todas essas maravilhas têm um preço... você vai se tornando um zumbi digital!"

Abordagem de Antônio Carlos Queiroz

Fonte: https://osdivergentes.com.br/os-divergentes/e-um-espanto-quando-voce-descobre-que-e-a-mercadoria-do-negocio/

Obs.: A matéria acima é de inteira responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Blog Várzea Paulista