Regina Duarte é espírito aberto em meio a espíritos baldios

O jornalista e blogueiro político, Josias de Souza, escreveu no seu Blog sobre a atriz Regina Duarte na Cultura. É um desafio para gente forte, e ela certamente aceitou a responsabilidade de apaziguar os ânimos e interesses da classe artística, incluindo os que se beneficiavam com as verbas da Lei Rouanet, da qual perderam o acesso. Josias escreveu:

"A cortina ainda não abriu para a gestão de Regina Duarte na Secretaria da Cultura do governo de Jair Bolsonaro. Por enquanto, a plateia ouve o ruído abafado das arrumações nos bastidores. O público está ouriçado. Há enorme curiosidade para saber como se desenrolarão as coisas no palco. A julgar pelo ensaio, vem aí um espetáculo da escola do realismo fantástico. Os dois protagonistas já são conhecidos: a Namoradinha do Brasil e o Capitão. Mas ninguém tem a mais remota ideia do que consta da trama. Nela, Regina deve fazer o papel de um São Jorge de saias. Que sai para salvar a Cultura e acaba casando com o dragão, antes de ser aprisionada num universo conturbado pela guerra contra o marxismo cultural.

Se o pano abrisse antes da hora, o público flagraria as cenas insólitas que aconteceram na quarta-feira, 29/01,no Palácio do Planalto. Avessa à corrupção, Regina disse "sim" a Bolsonaro numa reunião que incluiu no rol de testemunhas o ministro denunciado Marcelo Álvaro Antônio (Turismo). A secretaria da atriz está pendurada no organograma da pasta gerida pelo astro do laranjal do PSL mineiro. Os ministros Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia), que participaram da audiência anterior, esticaram a permanência no gabinete presidencial. 

Foi por obra da providência divina que a dupla estava ali. Junto com os generais Augusto Heleno (GSI) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Guedes e Moro fizeram festa para a nova companheira de cena. Guedes controla a chave do Tesouro, que trata a Cultura à base de pão e água. Regina terá de fazer muitas visitas ao Posto Ipiranga. Moro, um ex-superministro que se mantém em estado crônico de demissão, não é um bom exemplo para Regina. Mas tornou-se um ótimo aviso.

A aura de Olavo de Carvalho, que no novo espetáculo faz o mesmo papel de guru, pairava invisível sobre a atmosfera do gabinete presidencial. Responsável pelo estado catatônico de setores ideológicos do governo, como a Cultura, o ideólogo do bolsonarismo vigia desde o observatório da Virgínia os movimentos de Regina. Ao casar-se com o Capitão, a Namoradinha do Brasil meteu-se no espetáculo mais arriscado de sua carreira. Ela entra em cena com o espírito aberto de quem deseja desintoxicar o ambiente. O problema é que ela divide o palco com espíritos baldios, sobre os quais há sempre alguém atirando algum lixo ideológico."

Abordagem de Josias de Souza

Fonte:https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2020/01/29/regina-e-espirito-aberto-em-meio-a-espiritos-baldios.htm

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