STF x Bolsonaro: quem sairá desmoralizado?

Enquanto o senado federal aprovava o projeto que possibilita a redução de salários com proporcional diminuição da jornada de trabalho durante a pandemia e a suspensão de contratos de trabalho, com o qual o governo federal irá complementar o rendimento do trabalhador, formadores de opinião e analistas políticos avaliavam como conturbado o atual momento do cenário judiciário/político, com base em suposto pretexto de "atos antidemocráticos" contra o Congresso Nacional e STF, no qual a corda parece estar esticando até a um ponto próximo de ruptura sob a batuta monocrática do ministro Alexandre de Moraes, que aparentemente investe contra a Presidência da Republica, ministros e apoiadores. Bolsonaro reagiu  à noite em Nota que não pode "assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas", que o histórico do governo prova que sempre esteve "ao lado da democracia e da Constituição", que logo tudo estará no devido lugar e todos entenderão o que é democracia. No mais, Alexandre de Moraes deve contar com a solidariedade e, talvez, apoio dos colegas de toga, todos certamente cientes das pesquisas que apontam o STF com crescente rejeição na opinião pública desde dezembro 2019, só perdendo para a rejeição ao Congresso Nacional. 

Ainda ontem, o jornalista e blogueiro Josias de Souza comentou em sua coluna sobre a crescente tensão reinante neste mar tempestuoso e revoltoso de Brasília:

"Nas últimas semanas, tantas coisas aconteceram no circuito Supremo Tribunal Federal - Polícia Federal que a plateia vai ficando zonza. É preciso contextualizar. Há dois inquéritos rumorosos no Supremo: um sobre fake news, outro sobre manifestações antidemocráticas. Ambos têm o mesmo alvo: apoiadores de Jair Bolsonaro. Eles têm como relator o mesmo ministro: Alexandre de Moraes. Um dos lados sairá desmoralizado desses processos. Se as apurações produzirem um pastel de vento, desmoraliza-se o Supremo. Se vierem à luz evidências de que o bolsonarismo praticou ilegalidades na internet e nas ruas, complicam-se os apoiadores do presidente e, no limite, o próprio Bolsonaro. O presidente está convencido que o objetivo dos inquéritos, que possuem vasos comunicantes, é o de produzir material a ser usado contra ele no Tribunal Superior Eleitoral, onde correm pedidos de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão. 

As batidas de busca e apreensão realizadas pela Polícia Federal nesta terça-feira referem-se ao inquérito sobre manifestações alegadamente antidemocráticas. Mas vários dos endereços varejados pela polícia pertencem a personagens que já tinham recebido a visita dos rapazes da PF dias atrás por conta do outro inquérito, que trata de notícias falsas. 

Houve também a quebra de sigilo bancário de parlamentares bolsonaristas. O que já havia ocorrido com empresários. Nos dois casos, tenta-se traçar o caminho do dinheiro. Aos poucos, as investigações passam por uma fusão informal. A confusão que resulta da fusão entre os dois inquéritos convém ao Supremo. O inquérito das fake news, nascido de um canetaço de Dias Toffoli, que o plenário se esforça para ajeitar, vai se misturando com o inquérito sobre as manifestações, que veio à luz regularmente, a partir de uma requisição da Procuradoria-Geral da República. Resta saber o que vai surgir desse cruzamento, para definir lá no final quem se desmoralizará: o Supremo ou Bolsonaro?"

Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2020/06/16/supremo-x-bolsonaro-quem-saira-desmoralizado.htm

Obs.: A abordagem e o contexto acima de Josias de Souza é de inteira responsabilidade do autor, e não representa, necessariamente, a opinião do Blog Várzea Paulista