Funcionários públicos, marajás do Brasil?

O jornalista José Fonseca Filho escreveu, no site Os Divergentes, sobre a questão do quase intocável funcionário público e seus privilégios, sendo ou não um péssimo funcionário, onde certamente se encaixa os dos Correios:

"O Brasil é um dos países que apresentam as mais injustas políticas de distribuição de renda entre seus habitantes. A população é desatendida em suas necessidades básicas como a educação, saúde, segurança, saneamento e outras. No Rio, os casebres se estendem da base ao topo de altas montanhas, propiciando aos moradores que vivem com tantas dificuldades apreciar um belo espetáculo ao nascer e ao por do sol. Há quem veja poesia onde se equilibram as favelas, com a bela imagem do mar. Beleza que nada custa aos pobres. Mas é só o que eles contam para alegrar a vida.

Não é pouca gente que assim sobrevive e a tendência é de crescimento contínuo da miséria. No final do ano passado, segundo o IBGE, havia 5.12 milhões de domicílios ocupados pelos brasileiros sem recursos, em 734 municípios, vivendo em favelas ou outras áreas de habitação análogas. Sem que eles acreditem em perspectivas de melhoras. Há esforços louváveis, dos moradores locais e de entidades assistenciais para promover a melhoria desses ajuntamentos populares. Através da educação, atividades culturais, música, esportes. Um grande esforço mais dos próprios favelados do que dos governos.

O Brasil é um país de grandes diferenças sociais e situação generalizada de pobreza que sua população não merece. Ainda não houve uma explosão de revolta e ódio mas pode algum dia acontecer. Há muitas etapas a serem cumpridas para a evolução. Acabar a corrupção. Ensinar a polícia a não matar jovens nas favelas. Enfrentar a criminalidade armada das ruas e a de colarinho branco dos salões. Valorizar o trabalho, enfrentar a picaretagem e a corrupção. Sem que para isso seja necessária a liberação indiscriminada de armas, como defende o presidente da Pátria Armada. Aí então seria a explosão geral.

Bolsonaro tinha duas personalidades marcantes e competentes para realizar seu governo. Sérgio Moro, que já partiu, e Paulo Guedes, que desde o início tenta promover a tal reforma tributária e administrativa, que este país espera há mais de 30 anos. Vários gênios da economia já tentaram mas nenhum conseguiu. A torcida dos brasileiros responsáveis é para que o ministro Guedes não desanime nem desista. Caso contrário, continuaremos a ouvir desabafos tipo "que será deste país". O ministro tem destacado os problemas a serem resolvidos. Falta realizar.

A privatização de estatais deve ser realizada com rapidez. Mesmo as lucrativas, como Petrobrás e Banco do Brasil são inferiores em desempenho e lucro, às do setor privado congêneres. O Banco do Brasil possui uma rede nacional de clubes (?): AABB. Todas as estatais possuem mais empregados do que suas congêneres do setor privado, mas produzem menos. O Correios, é o que consta, dispõe de cerca de 100 mil funcionários. Dá para imaginar que cada um deles leva uma correspondência específica ao seu destinatário.

Os funcionários públicos ficam possessos mas o Brasil não se desenvolve mais e não remunera corretamente seus trabalhadores porque a grande maioria dos recursos arrecadados é destinada ao pagamento do funcionalismo público. Os chamados barnabés são privilegiados e bem remunerados. Muitos aposentados com relativa pouca idade recebem valores elevados quando penduram a chuteira. E não podem ser demitidos. Em certos segmentos do Legislativo a aposentadoria do servidor público vai de R$ 20 a 25 mil, ou ainda mais, e o valor correspondente no setor privado, no Executivo, é de R$ 5 mil. No Legislativo e no Judiciário, a bondade com a aposentadoria é muito grande. E ainda pode ser acumulada com outras.

Recente estudo do Instituto Milenium revelou que o pagamento dos salários e aposentadorias dos funcionários públicos brasileiros consome 13,7% do PIB nacional, e corresponde a um total de R$ 928 bilhões. A Educação, absurdo, setor tão necessitado, fica com 6 % do PIB. E o Brasil ainda tem 13 milhões de analfabetos. Para a Saúde, atacada pelo coronavírus, sobrou apenas 3,9% do PIB. Para obras de Saneamento, que o país tanto necessita, restou somente 0,2% do PIB. Inacreditável, na verdade. Metade da população brasileira não tem saneamento básico, água potável nem esgoto. Muitos morrem de doenças provocadas pela infecção do ambiente.

As reformas tributária e a administrativa precisam ser feitas com urgência para acabar com a calamidade da divisão do trabalho entre favorecidos e rejeitados. Salários altos no setor publico e rasteiros na iniciativa privada. Será um período difícil para o ministro da Fazenda: realizar as reformas e aturar o governo."

Abordagem de José Fonseca Filho

Fonte: https://osdivergentes.com.br/outras-palavras/funcionarios-publicos-os-marajas-do-brasil/


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