Toffoli, Bolsonaro, Congresso Nacional e Lula

A semana que terminou no sábado p.p., foi mais uma daquelas recheada de assuntos "turbulentos" nos meios de comunicação, não só na política nacional, mas também incluindo ministros do STF:

1 - O ministro Gilmar Mendes, do STF, aparentemente saiu dos holofotes para a entrada do protagonismo de Dias Toffoli com seu voto para "controlar" o compartilhamento de dados da UIF, Unidade de Inteligência Financeira (ex-Coaf), e Receita Federal. Segundo o jornalista Josias de Souza, Toffoli lançou o idioma "toffolês", ou "javanês" segundo vários meios de comunicação, dificultando o entendimento até mesmo de juristas experientes em interpretar as várias linguagens de comunicação da corte jurídica, em todas as instâncias, e com uma aura supostamente misteriosa para a "plebe inculta" pagadora de impostos. Do lado de dentro da corte, seus colegas ministros no STF parece não concordar com o contexto do voto, principalmente do "idioma" usado que, certamente, deve ter provocado tortuosa inveja na Marina Silva com seu indefectível "marinês". Bom, um dos ministros já discordou e votou a favor do compartilhando de dados para combate à corrupção. Tem ainda 9 ministros para votarem nesta questão.

2 - O presidente Bolsonaro apresentou oficialmente seu novo partido, APB - Aliança para o Brasil, em Congresso Partidário em Brasília. Bolsonaro é o presidente do partido. Agora só falta tornar o partido funcional no cenário político nacional. O prazo para que o partido seja registrado no TSE a tempo de disputar as eleições municipais de 2020 é apertado. O prazo termina em março de 2020. A expectativa do partido é que o TSE autorize a coleta de assinaturas por meio eletrônico, o que é visto como improvável. Caso a coleta de assinaturas seja manual, a efetivação da legenda deve ficar para o final de 2020.

3 - O Congresso Nacional parece que, finalmente, está correndo para aprovar a prisão em 2ª instância. Uns e outros garantem que a principal motivação para o aceleramento dessa questão, foram as manifestações populares pressionando a cassação do ministro Gilmar Mendes, e Lei para prisão na 2ª instância que, apesar de parlamentares contrários, inclusive Lula, está caminhando nas duas casas. Comenta-se que já tem acordo entre Rodrigo Maia (câmara de deputados) e Davi Alcolumbre (senado) para aprovação em curto prazo.

4 - Lula continua sendo Lula, com todos os matizes de sua origem sindicalista. Destacamos algumas falas de Lula no 7º Congresso Nacional do PT, com PCdoB e PSOL presentes, neste último fim de semana:

- "Nós somos sim o oposto de Bolsonaro. Somos sim radicais na defesa das universidades, da soberania nacional, da saúde. Nós somos oposição e meia. Enquanto ele semeia o ódio, nós vamos mostrar que o amor vai fazer esse país muito melhor"

- "Estou com mais disposição de lutar do que eu já tive em qualquer outro momento. Vou rodar esse país, não apenas infernizando a vida deles, mas para defender o povo brasileiro, que não merece viver o que está vivendo. O PT é sim o oposto de Bolsonaro"

- "Eu sou o maior polarizador deste país. Eu quero é polarizar. Eles não sabem o que é enfrentar um senhor de 74 anos apaixonado"

- "Aos que criticam ou temem a polarização, temos que ter a coragem de dizer: nós somos, sim, o oposto de Bolsonaro. Não dá para ficar em cima do muro ou no meio do caminho. Somos e seremos oposição a esse governo de extrema-direita que gera desemprego e exige que os desempregados paguem a conta."

Durante o evento, representantes do governo de Cuba entregaram a Lula uma placa comemorativa dos mais de 2 milhões de assinaturas cubanas no abaixo-assinado pela anulação dos processos contra o ex-presidente, além de uma foto de Lula com o líder cubano Fidel Castro.

Obs.: Em entrevista ao UOL, os adversários de Gleisi Hoffmann, na disputa pela presidência do PT, disseram que queriam mudanças no partido e chegaram a falar em "democracia radical". Não se sabe o que queriam dizer com isso. Gleise foi reeleita presidente nacional do PT.