A AGENDA DO CANDIDATO: REGRAS BASICAS - Parte 1

17/08/2016 10:54

  Artigo de Francisco Ferraz

  Fonte: www.politicaparapolitica.com.br

  Já se disse, reiteradas vezes, que se pode comprar tudo numa campanha, menos o tempo. Cada campanha tem um número fixo de meses, semanas, dias, horas e minutos que não pode ser expandido, e cada unidade de tempo perdida é irrecuperável.

  Por esta razão, o tempo do candidato é o mais valioso de todos os participantes da campanha e o único que é insubstituível. Por isso, o planejamento na campanha não é uma opção a ser ou não adotada, é um imperativo. A agenda do candidato é o principal instrumento de planejamento e administração do tempo do candidato. Com o andamento da campanha, o candidato passa a depender mais e mais da sua agenda. É uma tarefa que ele necessariamente tem que delegar e acreditar no julgamento dos seus auxiliares que a montam e a operacionalizam.

   Há 15 regras consideradas básicas para a agenda:

  1. Somente uma pessoa se encarrega da agenda

  Todos os compromissos que envolvem a presença do candidato devem ser canalizados para o responsável pela agenda. A regra vale para seus auxiliares, familiares, para seus cabos eleitorais, para convites, para reuniões etc. É óbvio que o (a) responsável pela agenda deverá participar das reuniões (em geral semanais) para planejar a agenda, na qual os principais auxiliares e apoiadores estarão presentes. Definidas as prioridades, a responsabilidade de executá-las é deste(a) pessoa responsável pela agenda. A essa disciplina o próprio candidato deverá se submeter. O candidato não assume compromisso sem ouvir o responsável antes, e cabe a este e não ao candidato a ingrata tarefa de dizer não.

  2. Esta pessoa deve conhecer muito bem o candidato

  A agenda deve ser feita sob medida para o candidato. Deve valorizar seus pontos fortes, e protegê-lo dos seus pontos fracos. Deve igualmente, levar em conta sua idade, seu estilo, sua saúde, hábitos, o que ele gosta de fazer, o que detesta etc. Deve tentar extrair dele o máximo, sem chegar ao limite de exauri-lo, seja psicológica ou fisicamente.

  3. Conhecer tudo que é importante sobre o evento

  O candidato deve ser “briefado” previamente sobre o evento. Compete ao agendador, (se estiver acompanhando o candidato) levar consigo ou entregar ao candidato, ou a um auxiliar, material informativo sobre:

  • Data, horário e local do evento
  • Qual a roupa adequada.
  • Tipo de evento e número previsto de pessoas. 
  • O que se espera do candidato (discurso,visita, etc).
  • Quais as pessoas que o candidato não pode deixar de cumprimentar/agradecer/mencionar.
  • Se o evento está aberto à mídia e quem da mídia estará lá.
  • Informações sobre a cidade (bairro/região).

  Obs.: Faça uma planilha com espaço livre para preencher essas informações. No verso da página deixe espaço livre para um conciso, embora detalhado, relato do evento.

  4. Conhecer antecipadamente o trajeto até o evento

Pode se perder tempo valioso se o agendador não dispuser de informações precisas sobre o melhor trajeto para chegar ao local do evento. Informe-se também sobre as condições do trânsito no horário e o local exato onde o candidato está sendo esperado.
  É óbvio que em municípios pequenos essa preocupação não possui maior relevância.

  5. Evite agendar eventos com mais de 2 semanas de antecedência

  Não se deve confundir o planejamento da agenda da campanha com os eventos pontuais para os quais o candidato é convidado . Há uma parte da agenda que foi planejada e acertada como parte da sua estratégia de campanha, com vistas a levar o candidato para contato com seus eleitores potenciais. Esta parte, é claro, foi planejada com bastante antecedência. O que deve evitar-se é agendar os novos convites que chegam, com antecedência maior que 2 semanas (prazo que diminui na medida em que se aproxima a eleição). A agenda do candidato deve combinar organização estratégica com flexibilidade. Numa campanha, a todo o momento, surgem fatos novos que exigirão sua quota de tempo, e que não podem ser previstos antecipadamente com segurança.

  6. Cuidado com a distribuição da agenda

  A agenda detalhada deve estar apenas com o agendador e o candidato. Ela conterá informações que não convém que sejam divulgadas. Por outro lado, os principais auxiliares do candidato precisam saber por onde anda, e o que está fazendo. Para estes deve se fazer uma agenda simplificada. Não ponha um calendário de atividades na parede do escritório para que todos vejam. A agenda do candidato é uma programação estratégica, portanto reservada.

  7. Qualquer convite ao candidato deve ser feito por escrito

Não se trata de excesso de formalidade, e sim de uma noção realista dos riscos de confiar na memória, numa situação de campanha. Não é necessário que o convite venha em papel oficial, mas precisa vir em algum papel que seja entregue ao agendador, ou por ele mesmo redigido como anotação, no momento em que o convite oral está sendo feito.

  8. O agendador é o homem do detalhe

O agendador sempre estará atento aos detalhes, porque sabe que, muitas vezes, é nos detalhes que se conquistam ou perdem-se os votos. Ele vai querer conhecer tudo que for possível sobre o evento: as pessoas que o organizam e que estarão lá; as características do local, as distâncias; o tempo aproximado que o candidato ficará no evento; o que se espera dele; telefones para contato; informação sobre o adversário, se já esteve no local, o que falou, se atacou nosso candidato ou não; quais os órgãos de comunicação que estarão presentes; o nome dos jornalistas; para citar apenas as mais óbvias. São detalhes como esses que o candidato vai pedir do seu acompanhante, minutos antes de chegar ao evento, ou mesmo, durante o evento. São detalhes como esses que podem evitar um grande erro, e assegurar que o encontro seja produtivo para a candidatura. O agendador não deve se atemorizar com as queixas de que é detalhista demais, e deve fazer bem o seu trabalho.

  ... Continua na Parte 2...

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