A CAMPANHA PORTA A PORTA

24/08/2016 08:41

  Artigo de Francisco Ferraz

  Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br 

  A campanha porta a porta é o contato de alta intensidade mais eficiente que existe, mas não se aplica igualmente a todas as situações e não é de utilidade prática numa campanha presidencial, num país do tamanho do Brasil, e de muito pouca, nas eleições para o governo dos estados. Entretanto, em eleições para o legislativo e para as prefeituras de cidades médias, pequenas, e, até nas grandes, desde que nestas últimas seja precedida por uma criteriosa segmentação, ela é uma ação de campanha poderosa.

  Nas eleições legislativas e municipais, então, a campanha porta a porta pode e deve ser realizada pelo candidato, com grande empenho, e, há certos candidatos que fazem desta forma de campanha a sua principal arma na eleição. Bem planejada, uma campanha porta a porta pode permitir ao candidato atingir pessoalmente, dezenas de milhares de eleitores.

  Bem preparado, um candidato pode fazer em torno de 30 contatos por hora. Se ele gastar 6 horas por dia nesta ação, serão 180 casas contatadas. Em 10 dias serão 1.800 casas, em 100 dias 18.000. Se considerarmos que para cada domicílio deve haver em torno de 5 eleitores, então, neste esforço de 100 dias ele terá atingido pessoalmente 90.000 eleitores, grande parte dos quais com poder multiplicador (isto é, com capacidade de falar bem do candidato para seus amigos e familiares).

  O candidato deve calcular que em aproximadamente 40% das tentativas não encontrará ninguém em casa. Mas, assim mesmo o impacto da visita será grande, sobretudo se deixar um bilhete pessoal quando não conseguir encontrar ninguém em casa.

  Este módulo de 100 dias é extremo. Mas permite, com base nele, calcular outros módulos menores, chegando-se a uma estimativa do número de eleitores diretamente contatados, e daqueles que resultarão do poder multiplicador dos primeiros. Cada candidato pode estabelecer a melhor combinação entre este tipo de contato, e as outras ações de campanha (pela mídia, mala direta, por telefone, etc).

  O traço marcante do contato porta a porta é que o candidato vai ao encontro do eleitor na sua casa. Se estiver chovendo, ainda melhor. Ficará evidente o seu empenho em falar com o eleitor, que está protegido em casa, enquanto você está na chuva, se molhando, embarrando os pés, mas na luta...

  No contato porta a porta é o candidato quem vai ao encontro do eleitor na sua casa. Além disso, o contato pessoal na casa enseja o encontro breve com toda a família. O eleitor sente-se valorizado e até lisonjeado pela sua visita, chama seus familiares, dá a oportunidade de você dizer algumas breves palavras, entregar sua literatura de campanha, e, em muitos casos receber a oferta de apoio e colaboração.

  Se em alguma casa não houver ninguém, deixe um bilhete seu manuscrito na hora, dizendo que esteve lá para cumprimentá-los e pedir o seu apoio. Lamente o desencontro e assine o bilhete. Alguns dizem que o candidato não deve bater na porta nos horários de refeição. Se você está num esforço de alcançar grandes números de eleitores não pode dar-se este luxo. Bata, peça desculpas por interromper, faça o breve contato e siga adiante. Eles compreenderão, e muitos, inclusive, vão convidá-lo para a refeição, o que obviamente você agradecerá, mas não poderá aceitar.

  Campanha de porta em porta por vezes coloca você em situações estranhas e inesperadas, mas também lhe dá a chance de encontrar muitas pessoas simpáticas, agradáveis e de boa vontade. Alguns dos quais se tornarão em apoiadores dedicados, trabalhando por sua candidatura. O candidato deve fazer este trajeto acompanhado de um assessor, no máximo dois. Não deve ir cercado de uma grande comitiva. Apenas o assessor, para distribuir literatura, receber solicitações, e registrar apoios.

  Uma regra absoluta é a de não entrar na casa. Fale à porta. Entrar é muito fácil e tentador, sair é muito difícil. Se aceitar entrar numa casa fica difícil recusar entrar em outra, e o ritmo do trabalho cai dramaticamente. Haverá pessoas que têm um muro que disponibilizarão para você pintar seu nome, outras aceitarão colocar cartazes seus no terreno ou na casa, outros pedirão material para entregar para amigos, outros se oferecerão para trabalhar na campanha. Cada um destes representa uma conquista valiosa. Se forem bem acolhidos e valorizados trabalharão por sua candidatura e serão eleitores seus por muito tempo. Gratuitamente! Depois de cada casa você deve ter um código para identificar a receptividade e aceitação da sua candidatura. 

  Cada eleitor visitado na campanha porta a porta é um contato valiosa. Por exemplo, você pode atribuir:

  - nota 5 para quem não apenas se comprometeu a votar, pediu literatura para levar a amigos, mas também ofereceu algum tipo de auxílio;

  - nota 4 para quem se dispôs a votar e a falar com amigos;

  - nota 3 para aquele que somente se dispôs a votar; nota 2 para quem disse que ainda não está decidido, mas vai pensar;

  - nota 1 para quem disse que já tem candidato; e

  - nota 0 para quem o recebeu com hostilidade.

  Ao sair da casa faça seu auxiliar registrar a nota imediatamente para evitar os esquecimentos. Feita a visita nas casas, você deverá fazer o acompanhamento do contato por email, facebook e/ou whatsapp  uma ou duas vezes até a eleição.

 

 
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