A IMPORTÂNCIA DOS VICES NA HISTÓRIA DOS PRESIDENTES DO BRASIL

02/08/2018 13:28

   Condensado do artigo de Orlando Brito

   Fonte: https://osdivergentes.com.br/orlando-brito/a-importancia-dos-vices-na-historia-dos-presidentes-do-brasil/

  “Ninguém vota em vice”. Todo mundo conhece essa máxima. Ela se refere ao nome daquele que vai compor a chapa que concorre ao Palácio do Planalto como substituto do titular, ou seja, ao vice-presidente da República. Em muitas eleições passadas, a dupla de candidatos já chega às convenções partidárias decidida, após conversas, intrincados acertos e laboriosas definições. Nessa próxima eleição presidencial, porém, impressiona justamente a não definição de quem será vice na chapa de quem. Divergências são sempre o que impossibilitam as soluções.

  Nossa história está repleta de vices assumindo o poder. Floriano Peixoto foi o primeiro, assim que o Brasil proclamou a República e derrubou o Império, em 1889. Elegeu-se presidente para suceder a outro marechal, o conterrâneo alagoano Deodoro da Fonseca. Logo depois, o médico baiano Manoel Vitorino assumiu o governo quando o titular Prudente de Moraes, sofrera um atentado. Ficou por quatro meses.  E nesse pequeno espaço de tempo fez várias mudanças, inclusive levar a sede do governo do Palácio Itamarati para o Catete, no Rio.

  Delfim Moreira, nascido em Minas, entrou para completar o mandato do paulista Rodrigues Alves, quando este faleceu em decorrência de uma febre, supostamente a amarela ou dengue, em 1919. Em 1945, caía o Estado Novo, período ditador de Getúlio Vargas, que comandava o país desde 1934. Com a deposição de Getúlio, a Presidência vai para as mãos de José Linhares, do Ceará, numa articulação com os militares. Ficou até a eleição do marechal Eurico Gaspar Dutra, nascido em Cuiabá. Vargas, porém, volta ao poder eleito pelo povo em 1951. Escolheu para vice, o jornalista e advogado Café Filho, do Rio Grande do Norte. Em 1954 Getúlio novamente deixa a Presidência. Desta vez, com o inesperado e trágico suicídio, após uma série de crises que envolvia Carlos Lacerda, da UDN. Então, o vice João Café Filho assume. Sofre ameaças de golpe, mas resiste com apoio do marechal Henrique Teixeira Lott. Garantiu-se a eleição de Juscelino Kubitschek, cujo vice-presidente foi João Goulart.

  Na eleição de 1959, Jango torna-se de novo vice, agora do eleito Jânio Quadros. Jânio renunciou sete meses depois, em agosto de 1961. Até hoje não se sabe a verdadeira causa de sua abdicação. O certo é que sua cadeira no Planalto foi para Jango. Em 1964, houve o golpe militar que tirou Goulart do poder. O marechal Costa e Silva, segundo presidente da Revolução de 64, faleceu em 1969. Seu vice era civil, o jurista Pedro Aleixo, e não lhe foi dada posse. Em seu lugar, uma junta militar composta por um general, um almirante e um brigadeiro respondeu pela República até a escolha de outro general, Garrastazú Médici. Depois de 21 anos de militares no poder, com a redemocratização do país, em 1985, a Presidência volta novamente para o comando de um civil, o mineiro Tancredo Neves, eleito pelo voto indireto do Colégio Eleitoral. Doutor Tancredo, entretanto, morreu antes de subir a rampa do Planalto. E a cadeira presidencial foi para seu vice, José Sarney, durante cinco anos.

  Em março de 1989, Fernando Collor de Mello vencia a eleição direta. Tomou posse no Planalto em 15 de março de 1990. Seu vice, Itamar Franco herdou sua cadeira, após o impeachment de 1992. Não decepcionou. Novamente, em 2016, um impeachment mudava a história do Brasil. Dessa vez a presidente Dilma Rousseff saía do Palácio do Planalto e, em seu lugar, subia Michel TemerPortanto, por mais que se considere a máxima de que ninguém vota em vice, eles são de extrema importância e não meramente figura decorativa. É só prestar atenção na própria história.

 

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