1025 - LULA, CANDIDATO SEM PODER SER

05/09/2018 08:57

   Extrato parcial da abordagem de Tereza Cruvinel, Jornal do Brasil

   Fonte: https://www.jb.com.br/colunistas/coisas_da_politica/2018/09/3587-como-sumir-com-lula.html

  A cassação da candidatura do ex-presidente Lula pelo TSE, na madrugada de sábado, não o tirou de cena nem fez cessar seu nome na campanha. Quem acreditou que seria assim, agora estranha que o assunto não tenha sido liquidado. Recorrendo à ONU e ao STF, o PT cumpre a promessa de levar a candidatura ao limite extremo. Já o alarido em torno da propaganda eleitoral e de suposta desobediência à Justiça Eleitoral, pode ter um segundo objetivo: levar o TSE a proibir completamente as aparições de Lula nos programas de seu substituto, um golpe que poderia não ser letal, mas muito prejudicial à transferência de votos.

  A primeira propaganda eleitoral no rádio, no sábado, saiu mesmo em desacordo com a orientação do TSE, pois nela Lula foi identificado como candidato. O Partido Novo protestou e o TSE proibiu. Já no programa de TV de sábado Lula não figurou como candidato, embora tenha aparecido em gravação. Haddad foi apresentado como vice mas não se falou de quem. O Novo voltou a acionar o TSE e a propaganda também foi vetada. Aqui está o pulo do gato. Em seu voto, o ministro Horbach entendeu que a propaganda não diz mas sugere que Lula é candidato, com blocos “que confundem o eleitor e criam estado emocional de dúvida não só quanto à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, mas também em relação à autoridade desta Justiça especializada para conduzir o pleito em curso...” Temos aí um tribunal melindrado. Ele fez uma análise de conteúdo do programa e decidiu segundo sua interpretação.

  Para o TSE, que carrega o ônus de ter tirado o candidato favorito da disputa, o banimento de Lula, de sua voz e imagem, elevará o desgaste e o descrédito no sistema. Foi este mesmo tribunal que, em nome da estabilidade política, deixou de condenar a chapa Dilma-Temer, o que derrubaria também o vice empossado com o impeachment. Dizer que agiu com Lula segundo a lei não impedirá a população de se lembrar que outros investigados pela Lava Jato, como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e dezenas de congressistas estão aí, concorrendo a cargos diversos.

  O outro alarido é sobre a demora do PT em substituir Lula. É gente aliada e gente inimiga argumentando que o partido precisa indicar logo Haddad, antes que seja tarde para ele se tornar conhecido e começar a crescer com os votos do patrono. Errando ou acertando, Lula e o PT estão indo às “últimas consequências”, como sempre disseram que fariam. Lula ouviu os advogados antes de bater o martelo com Haddad sobre os recursos à ONU e ao STF. Se não derem resultado até o dia 11, haverá a troca. Até lá, quanto mais ruído em torno de Lula, melhor para Haddad. Aliás, Lula deve continuar pairando sobre a campanha o tempo todo, como candidato sem poder ser.

 

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