1076 - DESTINO TURÍSTICO: AS RUÍNAS DE PSDB E PT

24/11/2018 10:11

   Abordagem de Fernando Henrique Martins

   Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/blogs/a-protagonista/2018/10/16/destino-turistico-conheca-as-ruinas-de-psdb-e-pt/

  Tudo que não se reinventa com o passar do tempo, corre o risco de corroer e sangrar até o fim. Isso também acontece na política partidária. Sim, do que foram e do que representam hoje PT e PSDB. Atualmente, se esses partidos fossem destinos turísticos, certamente hoje, após o primeiro turno das eleições 2018, os guias diriam: “visitem as ruínas de PT e PSDB antes que acabem”. Não é exagero. Basta olhar para trás: desde 1994, as disputas nacionais polarizavam-se entre PSDB e PT. Lula, FHC, Dilma, Serra, Aécio, Geraldo e Haddad. Os partidos da velha política, que historicamente colocavam-se diametralmente distantes em suas posições ideológicas, nunca se mostraram tão iguais como agora. Há uma dificuldade gigantesca em ambos assumirem, perceberem e ultrapassar os erros que cometeram. E o pretexto de terem trunfos importantes cada, como o Plano Real, a estabilidade econômica, lei dos medicamentos genéricos, Bolsa Família, programas sociais, PAC, não apagam os deslizes.

  Atualmente, partidos que têm lideranças presas ou severamente enroladas em acusações firmes de crimes e que se descolaram totalmente da sociedade que prometeram guardar e defender quando da assinatura de suas atas de fundação. Pelo PT, a incerteza de quem lançar e fazer o partido seguir em frente ao seu líder maior, o ex-presidente Lula, estar impossibilitado de disputar a eleição, afinal foi condenado em segunda instância pela Lava Jato e está preso desde abril na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná. As dificuldades surgiram ainda no primeiro mandato de Lula com o escândalo do Mensalão e a mancha sobre José Dirceu, nome forte do partido que vinha sendo formado para ser o sucessor de Lula. Depois disso, casos estranhos como a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, e do prefeito de Campinas, Toninho do PT. Crimes sem respostas claras, mas que têm viés político. Os escândalos de corrupção aumentaram e lideranças terminaram presas ou fora do partido, por não concordarem com a linha seguida. Faltou ao PT a humildade de reconhecer excessos.

  Para o segundo turno, tentando fazer Haddad crescer, um figurão petista, Jaques Wagner, foi chamado para apaziguar ânimos internos. O mesmo, sem dúvida, ocorreu com o PSDB. A hegemonia em São Paulo jamais fez ecoar no Brasil pós-FHC. A oposição como deveria ser feita, ficava abaixo do esperado e os discursos eram vazios. Casos de corrupção no ninho tucano seguem em investigação em vários pontos do País. O racha interno também foi verificado e muita gente saiu de bico virado do PSDB. Em 2016, Doria alçou candidatura à Prefeitura de São Paulo a contragosto de muita gente e bancado por Alckmin. Venceu no primeiro turno e quis mostrar que havia um novo PSDB para 2018. Daí, a escolha caiu por Alckmin, que novamente não decolou e o voo do tucano despencou de vez. Votação pífia.

  PT e PSDB que eram tão distantes nas ideologias, nunca estiveram tão próximos em seus desgastes. Dessas ruínas, menos deputados, governadores e senadores para cada lado. Quem se beneficia é um cordão de nanicos que, sem nada a perder (muito menos história), explodiu e faz a reforma política e partidária brasileira ser mais que necessária. Ambos perderam mais de 30 por cento dos votos para o Senado na comparação com 2010. Na Câmara Federal, o PT caiu de 69 deputados, em 2014, para 56, em 2018, enquanto a situação dos tucanos foi ainda pior, e o partido caiu de 54 para 29 cadeiras. O tempo de exposição e o desgaste pela falta de credibilidade também atrapalham os partidos tradicionais. Essa é a avaliação de Roberto Gondo, cientista político do Mackenzie, que acrescenta que o caminho acaba aberto para as novidades."

 

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