349 - COPA DO MUNDO E A CAMPANHA ELEITORAL 2014

01/07/2014 06:46

     Adaptação do artigo de Elder Dias  

    Fonte: https://www.jornalopcao.com.br/reportagens/futuro-da-campanha-eleitoral-depende-mais-que-nunca-da-copa-mundo-2255/  

  Os políticos já usaram em proveito próprio, e não poucas vezes, aquela que é considerada a maior paixão nacional. O desempenho positivo da seleção brasileira na Copa do Mundo é sempre recebido com portas do Palácio do Planalto — ou equivalentes — abertas. Coincidência ou não, desde 1994, o maior torneio de futebol do planeta cai no ano das eleições presidenciais e há temerárias análises de como o título, o desapontamento ou o vexame protagonizado pelos jogadores poderia refletir nas urnas.

  Perder ou ganhar Copa não quer dizer, ao governo de plantão, fracasso ou sucesso garantido, respectivamente, no próximo pleito. Em 2002, o Brasil ganhou o pentacampeonato mundial e a Família Scolari não ajudou Fernando Henrique Cardoso (PSDB) a fazer seu sucesso. Em 2006 e 2010, a seleção não chegou nem às semifinais e o PT reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva e elegeu Dilma Rousseff.

  A lembrança quem também fez foi o sociólogo Mauro Paulino, ou seja: futebol tem pouca influência nas eleições. Mas este ano será a exceção à regra, conforme ele mesmo completa: o fato de a Copa do Mundo ser no Brasil muda tudo, mais pelo que pode ocorrer fora de campo do que pelo que se passar dentro dele. E a principal beneficiada pelo êxito ou prejudicada pelo fiasco será a presidente Dilma.

  A conclusão é do próprio sociólogo, o que o leva ao ponto central da avaliação: a total imprevisibilidade sobre para que rumo irão os eleitores. E ele pode falar com o máximo de embasamento sobre isso: Mauro Paulino é diretor do Datafolha, um dos principais institutos de pesquisa do País.

  Ou seja: em um ano eleitoral, todas as expectativas eleitorais terão de ficar em suspenso à espera dos acontecimentos de junho e julho. Mas, dá para fazer uma análise com base no que ocorreu por ocasião da Copa das Confederações, com o que o Brasil viu em em junho de 2013, às vésperas de grandes seleções chegarem ao País, que se deram as maiores manifestações populares já feitas, equiparando-se às Diretas Já. O diferencial, em relação a esses eventos históricos, foi o grau de violência e a motivação: a cobrança por melhoria dos serviços públicos e a contestação veemente dos gastos com o torneio de futebol.

  As pesquisas que se seguiram mostraram queda vertiginosa de Dilma Rousseff e de quase todos os outros representantes do Poder Executivo, governadores e prefeitos de grandes cidades. Com os números das pesquisas já acomodados depois de meses e a recuperação parcial da popularidade dos detentores de mandato, o que fica ainda presente nas pesquisas foi uma passagem de nível acima no grau de exigência da população em relação à classe política. 

  Novos protestos a partir de junho, na onda do Mundial, são previsíveis, esperados até. A “Folha de S. Paulo” sabe disso e já inovou, lançando o “protestômetro”, uma ferramenta que vai possibilitar ao leitor de seu portal o acompanhamento diário de manifestações, paralisações e greves nos principais centros urbanos do País. Todo esse turbilhão de insatisfação pode ser arrefecido se a estrutura preparada para receber seleções e turistas corresponder.

  Essa é a grande questão. O sonho de Lula em trazer os megaeventos esportivos para o Brasil pode ser justamente o que levará o governo de sua sucessora à derrocada: afinal, foram sete anos para preparar tudo e, a menos de dois meses, o estádio que sediará a abertura não foi entregue pronto pela construtora.

  Se a organização do Mundial em si conseguir ser bem-sucedida, isso poderá neutralizar o barulho dos protestos. A reeleição de Dilma fica, então, mais viável. Ao contrário, caso o “mico” seja total — e os parcos investimentos em infraestrutura, aeroportos e estrutura viária abrem flanco para isso —, o risco passa a ser total. E, então, já será fim de julho e o ponto de não retorno já terá sido ultrapassado: um plano B, com o próprio Lula sendo convocado a salvar a nau do PT, estaria inviabilizado.

  Isso não significa cenário bom para Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), que serão os nomes mais fortes da oposição. No máximo, há um quê de “menos mau” por eles não estarem com o abacaxi em suas mãos. Mas a rejeição do candidato do PSDB e do PSB também é alta, por conta do descrédito de toda a classe política. E, na disputa pela liderança no torneio particular da oposição, Eduardo Campos leva vantagem sobre Aécio por ter um cabo eleitoral positivo: a ex-senadora e ex-candidata a presidente Marina Silva, em vez de uma referência partidária com desgaste do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na opinião pública.

  Embora sejam armas poderosas para o convencimento de aliados e formação de alianças, pesquisas de pré-campanha mostram quase sempre um cenário confuso e enviesado. Muito mais em um ano atípico como o atual. No país do futebol, nunca o futuro político do Brasil esteve tão dependente dele.

   Resumindo:

  Todas as expectativas eleitorais bancadas pelos institutos de pesquisa ficarão em banho-maria até julho chegar. E o destino da presidente Dilma Rousseff será o mais atingido, para o bem ou para o mal...

 

 

 

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