358 - A "SELVA" POLITICA E AS "FERAS"

22/07/2014 06:24

   Baseado na abordagem de Francisco Ferraz

   Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br


   Hoje, com tantos candidatos velhos e novos na política, o eleitor vota no passado ou no futuro?

  A política é onipresente nas relações sociais. Você não se livra dela na sua vida pessoal, profissional e social. Na ”selva política” há todos os tipos de “animais”. Há leões e raposas, como há serpentes, hienas e abutres. Há também uma farta coleção de cordeiros. Com estes últimos, você não precisa se preocupar muito, mas com os primeiros toda a atenção é pouca.
Não é tarefa fácil sobreviver nesta selva. Também não é nada fácil impor seu poder e sua vontade, em meio a tantos riscos e desafios. Sua primeira missão é, pois conhecer a selva e os seus habitantes.

   Todo o erro de avaliação neste meio tem um custo pesado. Se você tratar um leão como raposa vai se dar mal, se você demorar em reconhecer uma serpente, vai descobri-la pela mordida.
  O que torna a vida nesta selva ainda mais complicada, é o fato de que você, não pode desconhecer esta realidade, mas também não pode defender-se dela, adotando uma atitude de crônica insegurança e desconfiança. Esta atitude induz a timidez, à hesitação permanente e, em última análise, à sua irrelevância política.

   Não há saída. Você precisa conhecer a selva e tornar-se um mestre na arte de avaliar as “feras” que nela habitam.

   O político com uma aguda capacidade de observação e um julgamento maduro e equilibrado decifra intenções, antecipa-se a surpresas, surpreende manobras, conhece os pontos fortes e fracos, e sabe os limites das pessoas com quem lida.

   Como diz Baltasar Gracián: “Ele não é precipitado nem para amar, nem para crer”. A precipitação no julgamento é um sinal de fraqueza e imprudência que conduz a situações embaraçosas e a desfechos litigiosos.

 

   Alguns habitantes da floresta com os quais você vai ter que lidar:

O pessimista – Há pessoas que são, por natureza, melancólicos e pessimistas. Estão sempre prevendo desgraças e problemas, sob as aparências da prudência e da previdência. Não esqueça nunca, você precisa saber distinguir o pessimista do prudente. O pessimista é a caricatura do prudente.

O arrogante – É hipersensível e hiper orgulhoso. São pessoas muito perigosas para ter a seu lado. Na realidade só se comprometem consigo mesmos. Sua lealdade cobra o alto preço das permanentes manifestações de apreço, prestígio e deferência. Apontar um erro, submetê-lo a uma admoestação, fazer-lhe uma crítica, costuma ser percebido por ele como um crime de lesa-honra, a exigir vingança como compensação. Afaste-se deste tipo de pessoa.

O desconfiado – Este é outro tipo de pessoa, que esconde a sua insegurança crônica, sob as aparências da prudência. Para ele, ninguém é confiável. Sua capacidade de observação e julgamento está sempre comprometida, pela sua obsessão. A vítima pode variar. Pode ser ele a pessoa a quem os “outros” querem prejudicar, ou pode ser você. O alvo da desconfiança, porém, também pode variar: podem ser outros, mas também pode ser você...

O passional – É, de certa forma, o oposto do pessimista. Tende a ser monotemático, obsessivo e muito propenso a fantasiar. Apaixona-se por uma ideia ou projeto e somente enxerga aquilo que reforça sua convicção. Sua relação com o real está profundamente comprometida por sua paixão. 

 

A serpente ofendida – Este tipo é um dos mais perigosos de manter junto a si. Você nunca sabe quando ele se ofende ou se decepciona. Ele guarda a mágoa escondida de todos e a cultiva no seu interior. Aparentemente tudo parece estar bem com ele. Mas é calculista, frio, e sabe esperar. Na hora certa, quando você menos espera, ele dá o “bote” e se vinga da “ofensa” sofrida, sem ter dado a você a oportunidade de repará-la. É também um dos tipos mais difíceis de identificar. Como toda serpente, já terá mordido alguém no passado.

O formalista leal – Este é um tipo interessante. Ele é um “Catão”, sempre atento aos deslizes dos outros - inclusive os que você comete - rígido no aspecto moral e jurídico, obsessivamente apegado à legislação positiva, com uma verdadeira devoção aos princípios da hierarquia e da ordem. Ele é um “xerife, um “zagueiro” e tende a ser encarado pelos outros como um “chato”, um “empatador”, uma pessoa que só vê dificuldades, ilegalidades e riscos nos projetos e planos deles. Por este último aspecto, ele tende a ser uma pessoa extremamente leal a seu chefe, assumindo a condição de seu protetor. Embora formalista, ele deve possuir alguma maleabilidade que lhe permita moderar sua postura intransigente, para combinar a necessária proteção com a igualmente necessária capacidade de correr riscos.

O inseguro – Este é um tipo que vê perigo por todos os lados, que hesita em decidir e agir para não correr riscos. O inseguro é sempre uma pessoa indecisa. É um tipo fronteiriço com o desconfiado e o pessimista, usando os argumentos de um e de outro, para revestir a sua insegurança nas aparências da prudência. Não o designe para funções que exijam agilidade administrativa, capacidade de ação, iniciativa e criatividade. Pode ser um assessor útil, uma vez que sua insegurança exige que ele seja preciso e minucioso no trabalho que desenvolve. Esta não é contudo uma qualidade profissional. É um defeito pessoal que pode, numa função de aconselhamento, tornar-se uma virtude.

O otimista incurável – Muito próximo do passional, dele difere por não ser monotemático. Encara tudo na perspectiva positiva, sempre vê o “lado bom das coisas”, acredita que tudo é possível. Cuidado com a capacidade de envolvimento que ele possui. Ele administra em doses generosas um “veneno doce”. Muitos governantes têm “um fraco” por este tipo. Afinal no governo muitas são as notícias ruins e uma boa dose de otimismo é pois, sempre bem-vinda. O otimista incurável é um guia para a ilusão, para a fantasia, para o mundo dos desejos. Haverá ocasiões em que ele tem razão em ser otimista, mas será por um acaso e não o resultado de uma análise objetiva.

 

 

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