359 - PREFEITO BONZINHO ?

23/07/2014 06:50

   Baseado em artigo de Francisco Ferraz

   Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br 

   Um olhar cuidadoso na administração pública aqui de Várzea Paulista pode indicar a quanto anda o planejamento, a tomada de decisões e a eficácia de comando a partir do executivo e da equipe de governo, principalmente a do 1º e 2º escalão, ou seja: secretários, assessores, supervisores, etc...

   O administrador complacente é exatamente o oposto do administrador do detalhe. Os dois tipos são os polos extremos de uma administração que fracassa na sua função de governo

   O administrador complacente abdica de sua responsabilidade de comando. Caracteriza-se por uma declarada inapetência para o acompanhamento e análise dos principais documentos financeiros, por um generalizado desinteresse em inquirir e investigar problemas de execução orçamentária, delegando para seus auxiliares estas matérias. Em resumo, ele apoia-se mais na confiança, na esperança de que tudo marche bem, na preguiça e no mau hábito de só se interessar pelo que gosta.

   Os sinais de uma administração complacente são evidentes:

   • Desinformação sobre as condições financeiras do seu governo;
   • Baixa prioridade atribuída à análise de documentos financeiros
   • Fazer perguntas que já estão respondidas em documentos;
   • Seguir a orientação de que se não há crise não há porque se preocupar;
   • Estimular, pelo comportamento, apenas as boas notícias;
   • Impacientar-se com os que o advertem de possíveis futuros problemas;
   • Acolher tudo que vem da sua equipe sem fazer muitas perguntas;
   • Dedicar a maior parte do seu tempo e o melhor de sua capacidade para certas matérias que o atraem e agradam que, não são as financeiras e orçamentárias;
   • Quando faz perguntas sobre estas questões, satisfaz-se com respostas superficiais, não documentadas ou ainda, caso não esqueça, permite que o staff demore em respondê-las.

   Estes sinais (e outros mais) são visíveis a uma autoanálise sincera, ou a uma assessoria competente, e devem suscitar no governante uma reação imediata, que signifique a retomada na plenitude, de sua função de supervisão.

   Uma postura mental de investigação sobre a sua administração é o melhor remédio contra a complacência. O interesse e a atenção do governante envia um sinal de prioridade para toda a equipe Inversamente, se você mostra que não se interessa sobre questões financeiras, está mandando um aviso a seu staff de que estas matérias são menos importantes do que outras, que atraem mais seu interesse.

   Em consequência, prazos, disciplina, estudos, atualização e outros atributos de uma administração competente e atenta, ficarão todos relegados a um segundo plano, num clima de flexibilidade e frouxidão.

   Portanto, quando, no exercício da supervisão, você fizer uma pergunta, solicitar um estudo, marque prazo, dê importância à sua encomenda, para assegurar-se de que seu staff vai respondê-la no prazo marcado e com a qualidade que você espera.

   Sua ação de fiscalização e supervisão deve estar focada em questões de curto, médio e longo prazo:

   Questões de longo prazo (vários exercícios)

   • Estabelecer qual é a missão, a finalidade, da administração;
   • Estabelecer os objetivos de longo prazo da administração;
   • Estabelecer as políticas financeiras para realizá-los;

   Questões de médio prazo (um ano fiscal)

   • Fixar as prioridades do governo dentro de seu orçamento anual;
   • Estabelecer cronogramas de desembolso compatíveis com os compromissos assumidos;
   • Contar com reservas disponíveis para fazer face a imprevistos;
   • Estabelecer uma sistemática de avaliação periódica da execução do orçamento;
   • Construir cenários alternativos para o comportamento da receita e da despesa, com a finalidade de desenvolver planos de contingência para preservar as prioridades;

   Questões de curto prazo (constantes e periódicas)

   • Avaliação e exame de relatórios orçamentários e financeiros;
   • Estudar e decidir sobre ajustes orçamentários;
   • Controle sobre contratos, licitações, concessões;
   • Reuniões periódicas com a estrutura de auditoria de sua administração;
   • Avaliação e decisão sobre refinanciamento de débitos;

   Uma supervisão que cubra todos estes pontos inicialmente vai consumir boa parte do seu tempo. Com o passar dos meses, tendo-a realizado com disciplina e seriedade, você vai dominar os indicadores básicos de desempenho da política orçamentária e financeira de sua administração, estando pois em condições de, com pouco tempo, antecipar problemas, identificar falhas e matérias obscuras e mal explicadas.

   A administração que se recomenda, pois, não é nem a do detalhe nem a da complacência e sim a da responsabilidade, que lhe concede as condições para efetivamente governar isto é, avaliar, escolher e decidir com segurança, realismo e responsabilidade.

  

 

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