386 - SOBRE A RECESSÃO E INFLAÇÃO ATUAL

18/09/2014 16:27

    O PREÇO DO AJUSTE - Artigo de Celso Ming

    Fonte: https://economia.estadao.com.br/blogs/celso-ming/2014/09/17/o-preco-do-ajuste/

   Importe a eleição 2014, a inflação já está muito presente na vida de todos os brasileiros, hoje mesmo. Entre os vários especialistas em economia e análise dos preços do mercado, reproduzimos abaixo o texto de Celso Ming, que retrata o momento atual em meio à campanha presidencial:

   Do ponto de vista meramente técnico, portanto destituído de qualquer conteúdo eleitoral, a mistura de recessão e inflação é o que já temos hoje.

   O discurso do governo, enfatizado pela candidata Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é o de que a eventual vitória da oposição produzirá recessão e inflação.

   Do ponto de vista meramente técnico, portanto destituído de qualquer conteúdo eleitoral, a mistura de recessão e inflação é o que já temos hoje. O crescimento do PIB no primeiro trimestre foi negativo (-0,2%) e o do segundo, também (-0,6%). Não há mais quem projete um avanço do PIB para todo o ano de 2014 de 1%. O mercado medido pela Pesquisa Focus, do Banco Central, não prevê mais do que um avanço de 0,33% em relação ao PIB de 2013.

   Quanto à inflação, não adianta alardear que a meta está sendo cumprida. Não está. A meta é 4,5%. A inflação ultrapassa os 6,5%, portanto ultrapassa a meta mais os dois pontos porcentuais de margem de tolerância. E não deverá fechar o ano abaixo dos 6,29%, para ficar com as projeções médias do mercado. Não dá para negar que a inflação está alta demais.

   Seja quem for que assumir o governo em 2015, um acerto de contas é inevitável. Um ajuste mínimo implicará atualização dos preços administrados (combustíveis, energia elétrica e transportes públicos urbanos), desvalorização cambial (alta do dólar) e reformas mínimas. Mesmo que seja gradual, esse ajuste implicará algum custo em inflação se não for compensado com aperto das despesas públicas e juros altos que, por sua vez, serão fatores de contenção da atividade econômica. Qualquer discurso diferente desse resvala para a demagogia.

   É possível que o emprego também sofra algum impacto. No entanto, apesar do aumento das dispensas na indústria, o momento continua muito próximo do pleno-emprego. Um ajuste aí poderá ser doído, especialmente na indústria, onde já está sendo, mas não será nenhuma tragédia, já que o setor de serviços continua empregando pessoal. Além disso, por fatores puramente demográficos, menos gente vem procurando trabalho, como demonstram as estatísticas do IBGE.

   As distorções da economia são grandes, o investimento mergulhou, como as Contas Nacionais vêm apontando, as finanças públicas estão tomando o rumo perigoso do descontrole a ponto de ameaçarem com a perda do grau de investimento. Alguns setores-chave da economia enfrentam grandes incertezas, como acontece com a indústria de veículos, do etanol, do petróleo. Paira insegurança sobre o suprimento tanto de água doce como de energia elétrica, o que inibe os investimentos. O setor de infraestrutura está prostrado pelo sucateamento e pelos custos insuportáveis.

   Esses são fatores de estrangulamento da atividade econômica que exigem resposta pronta do próximo governo, não importa quem o assumir.

   O repasse imediato da conta a pagar à sociedade vai, sim, cobrar seu preço. Mas é um preço bem mais baixo do que o que seria cobrado se os ajustes não forem feitos. Isso nada tem a ver com produção de recessão e inflação. Tem a ver com correção de rumo.

   Quem leu atentamente o texto acima, certamente observou que o autor não mencionou se a corrupção existente tem ou não participação nisso, ou um aumento da gasolina e energia elétrica não vai gerar a alta dos preços ao consumidor ?

 

 

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