400 - O "DEPENDE" E O 2º TURNO...

10/10/2014 09:37

   Bom, como já abordamos anteriormente, o segundo turno está pendente no “DEPENDE”. Isso é bom ou ruim ? Também DEPENDE... as pesquisas estão apenas mostrando uma TENDÊNCIA, não confundir com o que o eleitor pensa e deseja (como mostrado no resultado do 1º turno)...

   DEPENDE do PSDB do Aécio aceitar as inclusões da Marina em seu programa de governo, entre as quais: fim da reeleição, recuo na maioridade com 16 anos, política de demarcação de terras indígenas e unidades de conservação, metas de assentamento para reforma agrária, educação em tempo integral, passe livre para estudantes de escolas públicas e 10% do orçamento da União para gastos com a saúde...

   DEPENDE, afinal de contas, da opção de Marina apoiar ou não Aécio. Isso já aconteceu na eleição de 2010. Marina apresentou naquele 2º turno aos dois “finalistas”, Dilma e Serra, suas condições para apoio. Nenhum dos dois respondeu, Marina ficou neutra e Serra amargou perder a eleição. Marinha tinha 20 milhões de eleitores em 2010.  A mesma cena se repete neste segundo turno, com a diferença que Dilma já sabe que Marina não vai apoiá-la pelo que fez no 1º turno, e DEPENDE de como o PSDB vai lidar com isso desta vez. MARINA, AÉCIO E DILMA sabem disso. Os coordenadores de campanha também...

   DEPENDE de como Marina vai decidir se Aécio não negociar e compor com sabedoria o que Marina solicitou,

   DEPENDE de como serão os debates na TV,

   DEPENDE de como serão as propagandas gratuitas,

   DEPENDE de como os militantes vão agir na campanha,

   DEPENDE de como os formadores de opinião irá tentar mostrar ao eleitor qual candidato é a melhor opção,

   Mas, sobretudo, DEPENDE do eleitor...

    Julia Duialibi escreve hoje em seu Blog no Estadão que o eleitor, deve preparar seu estômago porque o segundo turno não será brincadeira e, ao que tudo indica a disputa pelo posto será das mais acirradas e agressivas desde 1989. A movimentação nos bastidores das campanhas, o tom dos principais colaboradores de Dilma e Aécio, a reverberação desse caldo político no eleitorado e a sua conseqüente manifestação histérica nas redes sociais mostram que não serão semanas fáceis.

   À luz do dia, o PT se agarrará à comparação das gestões Lula e FHC, estratégia usada em 2006 e 2010. (...) Os números negativos da gestão tucana serão jogados ao eleitor, sem contextualização nenhuma.

   Também vão tentar desconstruir as gestões do PSDB, em São Paulo e em Minas. O presidente do PT, Rui Falcão, falou em “demolir esse sofismo de que eles são bons gestores”. O verbo escolhido, demolir, mostra bem a temperatura. No submundo, chumbo grosso, como o texto replicado nas redes sociais segundo o qual Aécio já teria sido internado em hospital por abuso de drogas.

   Do lado tucano, a maior parte dos ataques virá de casos envolvendo corrupção. O novo spot da campanha do PSDB no rádio mostra o tom: “Tem gente na cadeia pela grana que roubou, o País teve nas urnas e um recado ele mandou: que o PT tá de saída, e a mudança começou”. Não espere uma palavra sobre casos de corrupção do PSDB nos trens, no mensalão mineiro ou na aprovação da reeleição.

   Também no submundo haverá articulações nada republicanas para desconstruir a adversária, como as que envolvem grupos religiosos conservadores, a exemplo de 2010, quando os tucanos contaram com esses setores para atrelar Dilma a temas polêmicos, como aborto e combate à homofobia.

   As duas campanhas vão manipular o eleitor, divulgar informações fora de contexto, mentir sem nenhum pudor. Vão colocar eleitor contra eleitor, como se viu nas últimas declarações de petistas e tucanos sobre o resultado das votações no Nordeste, pró Dilma, e em São Paulo, pró Aécio.

   Enquanto isso, temas relevantes para o País serão marginalizados ou deixados de lado para evitar polêmicas que possam acarretar em perda de votos. Ao eleitor, restará um resumão genérico e insosso dos programas de governo. Nada aprofundado sobre os rumos do País. Nada que seja mais real e que fuja do controle do marketing político das campanhas.

   Não tenha dúvida. O debate no segundo turno será pobre, raso e agressivo. Cumprirá um grande desserviço para o eleitor e dará margem para que surjam aberrações, como a página do Facebook Dignidade Médica, na qual há declarações preconceituosas e toscas sobre a eleição, entre as quais a defesa do “holocausto” para os eleitores de Dilma. É exemplo do lixo que vem por aí.

   Dora Kramer também escreve hoje em sua coluna no Estadão que “Na realidade o efeito eleitoral dessas denúncias é o menor dos problemas. Se com isso tudo a maioria ainda decidir que a presidente deve ter mais um mandato, está decidido. A discussão independe do período eleitoral. Ainda que tudo isso viesse a público no ano passado e Dilma dissesse que não sabia de nada a questão seria a mesma: o partido do governo cuja antiga cúpula foi condenada por corrupção, pego de novo em traficâncias de natureza semelhante tendo apenas mudado de endereço.”

 

 

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