424 - V.PTA.: O PREFEITO E AS CIRCUNSTÂNCIAS AO FIM DO 2º ANO DE MANDATO

20/12/2014 10:02

    

   Baseado no artigo de Jose Roberto de Toledo, Jornal o Estado de São Paulo

   A margem de manobra política quando o prefeito Juvenal Rossi (PV) começou a governar, dois anos atrás, não era o esperado ou maior do que tem hoje. As pesquisas internas mostram a rejeição pública ao governo com um pouco mais que 40 pontos. Isso contraria suas expectativas como governante, pois não é suficiente para ter respaldo dos eleitores para continuar dizendo que não tem dinheiro, fazer o que está fazendo com a equipe executiva que tem, sem dialogo direto com a população como prometeu na campanha eleitoral, parecendo viver em um sonho de faz-de-conta nestes primeiros 2 anos de mandato. Aparentemente ele não mudou desde que assumiu o governo, mas as circunstâncias para governar sim. E isso faz toda a diferença.

   Era esperado, incluindo a propaganda nos jornais locais e regional, que a taxa de aceitação do governo fosse de ótimo ou bom – como a de qualquer governo após primeiro ano de mandato – mas se focasse um pouco para baixo, para a população, certamente estaria melhor. Isso faria o prefeito começar o segundo ano de governo com pelo menos metade da popularidade com que iniciou seu primeiro mandato. Ou seja: cerca de 50% da gordura que tinha para queimar quando chegou ao poder em 2013. Três meses após o prefeito ser empossado, sua aceitação manteve-se na zona de conforto, pelo menos até junho de 2013, período das pré-manifestações. Um olhar atento no seu governo mostram dois anos de incertezas, que permitiram ao prefeito tentar fazer alguma coisa  com a equipe que escolheu com base em compromissos eleitorais. Uma equipe executiva que a opinião pública não entende bem porque está “ajudando” a governar Várzea Paulista, maioria sem preparo nenhum, uma parte só bem-intencionada mas não correspondendo e outros estão porque estão por compromisso da campanha eleitoral. Não podia ser pior se considerarmos os bajuladores, os que querem apenas estar “fazendo parte do governo”.

   É provável que circunstâncias favoráveis no inicio do mandato tenham alimentado arroubos de autossuficiência e voluntarismo na avaliação do prefeito. Aprovação alta antes de realizar algo concreto, tende a mimar o estreante. Acostuma mal. Custa caro. E tem um preço.

    Mesmo após a avalanche das manifestações de junho 2013 atentar contra sua popularidade e estimular desejos de renovação no eleitorado, o prefeito resistiu a se adequar ao novo cardápio de possibilidades políticas e a ter dificuldades de todo tipo, inclusive sem chances de cumprir suas promessas de campanha que o elegeu, tais como: Poupatempo Saúde, Redução de comissionados, Maternidade, acabar com a falta de medicamentos nas farmácias públicas municipais, etc.. De certa forma optou por  insistir em mais do mesmo na economia municipal. Quando assumiu, precisou ajustar o discurso e sinalizar mudanças. Passou raspando. Mas só ficou no discurso, o discurso nas intenções e as intenções no que se vê no governo, incluindo todos os vereadores.

   Começou a sentir, provavelmente, sintomas de perda de capital político, com uma equipe e legislativo visivelmente fracos e sem preparo para dar respaldo ao seu governo. E ao custo de não ter oposição. Tudo em nome de compromissos de campanha e de “governabilidade”.

   O Natal está chegando, e há quem ainda acredite também em Papai Noel. A equipe que escolheu e incluiu no governo para ajudá-lo a governar, parece mais como  fusíveis que instalou na caixa de força, mas com capacidade inferior ao que se esperava e que prometeu em campanha, e que hoje há indicações de queimar o prefeito se as coisas derem errado como, por exemplo, os inquéritos civil instaurado pelo Ministério Público. Afinal, Juvenal Rossi é o prefeito eleito. Pode acontecer que, inevitavelmente, algum(ns) dos secretários e/ou assessores se queimem antes que algo ruim aconteça, tipo Improbidade Administrativa comprovada, mas que poderá ser trocado por um outro. Mas fusível, sozinho, não previne incêndio.

   Para sobreviver, terá que administrar escassez de recursos com gente despreparada. O pequeno saldo de popularidade que ainda lhe resta pode se transformar em déficit tão mais rapidamente ele repetir as práticas destes primeiros 2 anos de mandato. A margem de reverter isso é muito estreita, e o prefeito deve ter percebido e ainda pode tentar mudar.

   Por ora, as circunstâncias falam mais alto que o prefeito, para surpresa dos circunstantes. De certa forma, principalmente política, foi necessário e inevitável. Mas, será possível reverter o status atual para ter chances de reeleição em 2016 ?

 

 

 

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