456 - V.PTA.: CHARUTOS E NINGUEM ESQUECEU

30/04/2015 08:40

   Para descontrair neste inicio deste mês de maio, mês das mães e das noivas segundo a tradição, vamos abordar duas historinhas do folclore político nacional adaptadas para o ponto de vista aqui de Várzea Paulista:

1 - CHARUTOS:

Naquele tempo ido, na tribuna da Câmara, Carlos Lacerda, líder da UDN, fazia violento discurso contra o presidente Vargas, insinuando que ele era conivente com a corrupção. Flores da Cunha, general, gaúcho, deputado pela UDN, liderado de Lacerda, pediu um aparte:

– Sr. Deputado e líder Carlos Lacerda... Sabe a Câmara e sabe a Nação que sou adversário de Getúlio. Mas não admito que ninguém, nem mesmo V. Exa., meu correligionário e meu líder, diga ou sequer insinue que o presidente Vargas tenha ficado, em qualquer época, com um tostão sequer que não fora seu. Vargas sempre foi um homem probo e incorruptível.

De noite, no Catete, após o jantar, Getúlio conversava com amigos:

– O Flores deu uma boa hoje. Como eu tinha vontade de lhe mandar uns charutos! Quem os levaria? Nos seus rompantes, pode querer devolver.

No dia seguinte, um funcionário saiu com uma caixa de “Havanas”. Entrou na Câmara, no Palácio Tiradentes. O general estava na sala do café conversando numa roda, com a roupa branca, a bengala e o eterno charuto:

– General, preciso falar com o senhor.

– Pois não, meu filho. Pode falar aqui mesmo.

– Trago uns charutos que o Presidente mandou.

Flores arregalou os olhos, bateu a bengala no tapete:

– Que presidente, meu filho? Tem muito presidente por aí.

– O presidente do Flamengo, general.

– Ah, muito bem. Então me dê os charutos.

E soprou uma fumaça, feliz como ele só.

   Obs.: Bom, pode ter algum político que pode estar precisando mandar uns charutos para o ex-prefeito Clemente, afinal ele sabe de política... mas, ele aprecia charutos ?

 

2 – “NINGUÉM” ESQUECEU:

  “Ninguém”, político de carteirinha, é a figura humana do melhor populismo incógnito. Com uma turma boa, é capaz de amanhecer o dia em virada alcoólica. Sem dúvida, “Ninguém”, também afeito ao "halterocopismo", tinha que ter seu companheiro inseparável.

Uma noite, no Bar conhecido, a turma se encontrou para uma revisão dos fatos políticos, lubrificando a garganta de vez em quando com boas doses de whisky. Encerrada a conta, foram deixar “Ninguém” em sua residência nova, perto do bairro novo, que ainda não tinha denominação e era verdadeiro deserto. “Ninguém” passou das medidas e não se lembrava do caminho de casa. O amigo, ao volante, também "esquecera" o caminho, e nenhum dos dois se lembrava. Pararam uma barraca no caminho e perguntaram:

 - Ei, você sabe onde é a casa do “Ninguém” ?

 O rapaz botou a cara para dentro do carro e espantou-se:

 - Oxente! E esse não é o “Ninguém” ?

E “Ninguém”, acordando de mais um cochilo, respondeu:

- Que eu sou “Ninguém”, isso eu sei. Eu não sei é onde é a minha casa...

   Obs.: Então, vai saber...


 

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