461 - VEREADOR: FIM DE MANDATO E REELEIÇÃO

21/05/2015 09:37

  Baseado em texto de Francisco Ferraz

   A tentativa de reeleição dos vereadores, como se sabe, é sempre problemática. As eleições, de uma maneira geral, tendem a ser vistas pela maioria dos eleitores como uma mobilização de esperanças, como a oportunidade ideal para obter novas conquistas e vantagens, como a possibilidade de decidir um futuro onde se realize aquilo que ainda não foi feito. E, honestamente, o que os eleitores pensam dos atuais vereadores e o que os vereadores fizeram pelos eleitores para serem reconhecidos a ponto de serem reeleitos  ?

   Nesta perspectiva, a eleição, como regra, favorece o candidato da mudança em vez o da continuidade.

   Mas o eleitor, entretanto, experimenta também dentro de si, vários conflitos:

• O novo parece-lhe mais atraente, mas qual a garantia que tem de que vai fazer o que deve ser feito? Será que vai dar certo? Que vai ser tudo aquilo que parece ser e promete ser? 
• Mudar é sempre desejável quando o resultado da mudança é uma melhoria, um progresso. Mas se a mudança comprometer o que está funcionando bem, sem conseguir trazer novas vantagens? 
• Um candidato menos conhecido, uma “cara nova” é também atraente, porque o candidato menos conhecido é um candidato a ser conhecido durante a campanha. Mas quem garante que ele está preparado para o desafio?

   Cada um dos candidatos deverá então lutar para convencer o eleitor desconfiado de que é possuidor de atributo melhor que o do adversário.
   Assim, o candidato à reeleição vai procurar mostrar que o novo mandato que pleiteia não se limitará a dar continuidade ao que já existe, mas que, ao contrário, ele está comprometido com as mudanças, mudanças de verdade.

   De outra parte, o candidato da oposição vai procurar convencer os eleitores que possui as qualificações para fazer as mudanças, sem comprometer a continuidade do bom já foi realizado, como as emendas ao projeto de lei do governo referente ao Transporte público municipal. É com estes pensamentos e sentimentos que o conflito interior do eleitor se resolverá.

   Esta é a lógica política de uma disputa entre um candidato que busca a eleição e outro que busca a reeleição. Cada um domina de cada lado: o da continuidade e o da mudança.

   Cabe à candidatura que propõe a mudança persuadir o eleitor que é capaz de manter o melhor do que já existe, e o que quer ser reeleito convencer o eleitor de que é capaz de fazer a mudança que querem. Mas o eleitor estará lembrando o que fizeram durante os 4 anos de mandato e nenhuma mudanç significzativa foi feita.

   Nem sempre é isso que ocorre. Muitas vezes a disputa se acirra e o candidato da mudança condena tudo que foi feito e, com maior ênfase ainda condena a tentativa de continuar no poder. De sua parte, o candidato que quer ser reeleito ação pode também radicalizar sua posição e condenar toda a mudança proposta, como sendo prejudicial, e isso pode pegar mal ante os eleitores

   Nesta situação a luta eleitoral se transforma num “cabo de guerra”, em que cada candidato puxa a corda para o seu lado, até fazer o adversário desestabilizar. Ao eleitor fica difícil avaliar ou mudança sem continuidade, ou continuidade sem mudança.

   Essa disputa, seja sob a forma da radicalização e na avaliação do eleitor, supõe que o candidato da situação representa a administração atual no seu mandato, e o candidato da oposição que diz irá promover a mudança desejada para ser competitivo.
   Em outras palavras, ambos podem ganhar a eleição.

   Dentro desta perspectiva política situa-se a questão do fim de mandato para o candidato da situação.

   A partir do momento que é sabido que o atual vereador pretende disputar a reeleição – muito antes, pois, do anúncio formal da candidatura – a sua fica comprometida, e quanto mais se aproxima o momento da campanha mais comprometida ficará.

   Neste ano de 2015 seus atos já serão vistos como atos de campanha, como uso da máquina administrativa para se eleger. E muitas vezes é isso mesmo que ocorre, mesmo com a proibição legal de assim proceder. A tentação de usar a “máquina política” para se reeleger é freqüentemente irresistível.

   Esta é, pois, uma situação politicamente muito sensível, para qual se recomendaria muita cautela e discrição.

   Como administrar esta situação delicada é um desafio político de proporções nem sempre fácil de lidar. Nem a timidez e o excesso de escrúpulos, nem tampouco o oportunismo populista, são guias confiáveis para passar por esta fase.

   Se a lei permitiu a reeleição, o vereador está no seu pleno direito de:

   (1) prestar contas de sua administração aos eleitores, e   

   (2) usar as realizações de seu mandato como argumento para se reeleger. 

   A lei, ao admitir a reeleição permitiu-se disputar a eleição; ser vereador e ser candidato. Mas a lei também proíbe usar os recursos públicos – no seu sentido amplo - para seu benefício pessoal ou partidário. Nesta condição então, o fim de mandato deverá se pautar por uma ação de comunicação, inteligente e rigorosamente contida dentro dos aspectos legais.

   Em termos práticos. O vereador está legitimado para mostrar o que realizou e valorizá-lo publicitariamente. Mas atenção, o marketing deverá assumir a forma de informação objetiva, de um relato do que foi efetivamente realizado, do cumprimento do que foi prometido, mas não uma oportunidade para auto-exaltação, principalmente se existirem comentários desabonadores contra seu mandato.

   O que deve ser considerado, e é necessário acreditar, é que a realidade e utilidade do que fez vale muito mais do que a propaganda ostensiva em torno de sua pessoa. Isso será feito durante a campanha eleitoral oficial.

 

 

 

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